segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A novidade


Não, eu não vi o final da novela das oito (ou nove?). Mas hoje começou uma novela nova e eu decidi olhar. Muitos vão dizer que não vai durar muito essa minha dedicação noveleira e outros sequer acreditam que não vi a novela da “Carminha” por mais que uns 8 capítulos, mas a maioria vai perguntar o que isso tem a ver com esse blog.

Bom, é verdade que meu interesse novelístico é praticamente nulo e não é por princípios, é porque nada me prende muito tempo frente a TV. Se o filme é chato, eu durmo. Se o seriado passa na hora que recebo visitas, já não vejo. Se o jornal não interessa, ligo o som. E isso serve para livros. É Best seller, começo a ler, não me interesso, deu! E não sei se dou uma segunda oportunidade. Esses dias, tentei ler um famosíssimo, numa época que viria a calhar, mas não consegui.

Tenho uma amiga que diz que minha palavra é HD, porque eu não ocupo espaço no meu HD com o que não me interessa. Mas tenho curiosidade, muita curiosidade. De cultura, de leitura, de visual, de gostos, ouvidos e de vida. Eu provo. Gosto de experimentar e poder dizer, “não devorei porque não quis”.  As novidades são fascinantes e a mente pede.

Mas isso não significa que não repita nada, ou não seja fiel a nada. Muito pelo contrário, como boa escorpiana, poucas coisas me fisgam e, quando fisgam, eu vou com anzol e tudo. O caso é que dar oportunidade para as novidades é o verdadeiro permitir-se. Só assim colocamos outras coisas em prova e realmente comprovamos o que preferimos.

Abra espaço para as degustações na sua vida. Experimente coisas diferentes, principalmente na forma de se relacionar. Se tentar sempre assim nunca dá certo, então quem sabe daquele jeito que a novidade propõe? Andar de lado é o jeito de o caranguejo andar pra frente. É diferente, mas funciona.

Ser curioso tem vários benefícios, até porque, ninguém tem uma ideia genial sem consumir cultura e informação, nem encontra um baú de ouro, se não seguir o mapa misterioso. Não descobre que salmão cru é melhor que cozido, que damasco combina com brie, que entradas podem ser melhores que pratos principais e que beijo bom vale mais que mil transas comuns.

É assim, você prova, descobre do que gosta, enlouquece de felicidade e pode consumir à vontade. Se o consumir for outra pessoa, vamos rezar que ela também tenha a mente aberta para curiosidades como a sua, porque se você tem, provavelmente é super divertido e interessante. Ó, ser legal não é pra qualquer um, é para quem decidiu viver em detrimento da sobrevivência dos que não experimentam todas as possibilidades. Enjoy!

Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Eu, você e os outros


Passei um tempo sem escrever, mas com muitos porquês sendo analisados. Pensei em falar sobre problemáticas mil de relacionamentos e busquei explicações para um zilhão de causas que geram o começo e o fim de algo. Tentei achar razões nos sentimentos e sentimentos nas razões. Pedi opiniões de amigos, verifiquei minhas experiências, percorri passados de gente que teve sucesso ou insucesso a dois. Até que descobri que nunca há só dois.

Num jantar eles foram apresentados por amigos em comum. Gostaram-se, aproximaram-se, investigaram-se. O eu dele era visto por ela com uma carga gigante do que achavam os amigos em comum. O eu dela era lindo visto dos olhos dele com lentes colocadas por seus pais na infância. O relacionamento ideal, segundo ela e a melhor amiga, tinha que ter alianças e um buquê de juras. Para ele e toda a torcida do Grêmio, a mulher perfeita era companheira para todas às “paradas” e que não implicasse com os “programas de homem”, que não fosse vulgar, mas que soubesse ser ousada, que fosse culta, mas que nunca se sobressaísse a ele. Beleza é fundamental, achavam ela e a irmã. Mas era imprescindível que ele fosse inteligente e rico, ela concordava com o pai. Enfim, perfeitos um para o outro e para os outros.

O caso é que nenhuma das análises de problemáticas de relacionamentos se sobrepôs, até então, ao fator “outros”. A começar pelo fato de que nós, dentro de uma perspectiva de 2000 anos para cá, só nascemos porque “outros” resolveram reorganizar a sociedade em famílias constituídas, obrigatória e legalmente, por: um pai, uma mãe e filhos. Decepando e esquartejando qualquer outra forma de convivência sentimental e organizacional. Há pouquíssimo tempo, alguns míseros números de cidadãos gritaram por excluir os “outros” de suas escolhas, nesse sentido, e libertaram-se. Porém, a sociedade em geral é formada pelos outros e é tão intrínseco que eles atuam e se impõe inclusive aonde jamais poderia haver parcialidade.

Não é que não tenhamos opinião e escolhas originalmente nossas. É que frequentemente não colocamos nada em xeque frente ao que é nosso e ao que é dos “outros”. É tão mais fácil andar com a multidão, que nosso consciente não tenta olhar a frente e ver se é, realmente, aquele caminho que desejamos seguir. Sem escolher por aquilo que desejam nossos íntimos e sendo levados pelo GPS do pensamento coletivo, vamos caindo em buracos, furando nossos pneus, amassando nossas latarias e enguiçando nossos motores em estradas da infelicidade.

Os “outros” só querem o nosso bem. Só querem que sejamos felizes, que não tenhamos problemas, que não tenhamos tristezas. Daí, então, os “outros” nos enquadram em seus modelos, e nós absorvemos essas bulas, regras, fôrmas e encaixes, perfeitos para alguém que não somos nós. Quando dá errado e demonstramos, os “outros” nos julgam, nos excluem, nos elevam ao alto grau da incompetência ou do dó.

Aos olhos dos “outros”, é inconstante quem não tem um só amor pra vida toda e conformista quem tem. Falta amor próprio quem corre atrás de alguém que ama. É egoísta quem acha que pode ser feliz sozinho. Tem problemas quem não deu certo com aquele alguém tão legal. Tem ainda mais problemas se amar quem é tão imperfeito. Ora, mas o que é o ideal? O ideal mora sempre com os outros, que juntos te transformam em alguém eternamente incompleto. Não leve os outros para a cama com quem você ama, nem com quem você só vai ter um rolo, pois eles fazem tanto barulho moral que você não vai conseguir aproveitar.  Isso é para os relacionamentos, isso é para tudo.

Fuja deles, deixe de ser um deles. Não faça isso um dia, faça isso agora, faça sempre. Analise, duvide, questione seus sentimentos, escolhas, passos, estradas. Não continue andando junto a uma multidão que sempre parece feliz com as escolhas, mas que na verdade só está ali porque os outros escolheram. Saia desse aglomerado de padrões alheios, de tristezas iminentes. Não fique amarrado em ideias de sentimentos, de relações, de felicidade dos diferentes querendo ser iguais. Não se anule por medo do que eles vão pensar. Porque o que os outros querem é não ter que ouvir e ver o seu murmúrio de inconformidade. Então, mil vezes que ele seja criado pelas suas escolhas, baseado no seu íntimo, do que sofrer por fazer algo que você nem queria, nem sentia, nem sequer entendia. Porque, ser feliz não é chegar ao fim da estrada dos sonhos, mas caminhar nela porque escolhemos, rindo e chorando intensamente. Como mandarem nossos coração e cérebro juntos, sem nenhum “outros”.

Guilene Leonardi
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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Individualismo X Coletivismo - Quem é o egoísta agora?

Rousseau* disse “É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de viver com alguém que saiba pensar.”, e ele não falava de qualquer pensar. Mas vou começar esse texto do começo. O mundo é composto por pessoas que desejam encontrar, somar e dividir tudo, constantemente, absolutamente. Pessoas que nunca dizem não para não fazer sofrer e provocar afastamentos. Gente que não magoa, nem se posiciona. Não desmente, não entra em conflito. Gente que age prioritariamente pelo bem estar social, especificamente o seu social. Gente que não suporta a ideia de viver só. E faz tudo pelo fator agregador, nem sabe se gosta mesmo daqueles outros que lhe rodeiam, nem daquelas atividades, se aquela é a vida que realmente desejava, mas faz tudo, tudo, tudo para não ficar só. Abandonando drasticamente a sua condição de indivíduo.

Desde quando a sociedade desenvolveu essa fobia pela individualização, eu não sei, mas vejo que, nos dias de hoje, quem perde com isso são os solitários por natureza, que vamos chamar de SpN. Conviver consigo é uma tarefa difícil.  Não pense que o SpN é um deprimido, um sofredor, um chato que se disfarça de SpN para não se sentir excluído. O solitário por natureza é alguém que escolhe o momento social de viver em grupo, que não faz coisas para agradar os outros, nem exige isso de ninguém. Ele mora sozinho no seu eu, mas recebe visitas e as faz, quando deseja e é desejado ao mesmo tempo. Porque ele não impõe sua presença, nem aceita que a do outro seja imposta. Ou seja, é considerado um monstro individualista.

Há prazeres individuais intrínsecos, que não comprometem a vida em sociedade. Existem coisas no ser só, o SpN, que não configuram solidão, pela trágica conotação da palavra. O solitário por natureza apenas presa pelo individual e isso significa respeitar incondicionalmente o individual do outro. Por isso o SpN é um SpN. E ele tem seu espaço, de escolha de ser só, completamente invadido quando alguém o avalia como triste. Isso é a banalização do individual. Ser só não é ser triste. É gostar de si e saber o seu espaço no mundo, principalmente as delimitações de espaços. É saber que somos indivíduos pelo sentido literal da palavra, porque nossas escolhas afetam, na prática, somente a cada um de nós. Aqueles que se deixam afetar por nossas escolhas, é porque sofreram o efeito cascata da coletivização do indivíduo.

Acontece que a coletivização é o inverso do que parece. As pessoas nunca perdem conexão com seus desejos individuais, mas em nome da coletivização fazem os outros sofrerem as consequências do seu egoísmo, da imposição da sua escolha. Numa vitimização constante pelas perdas de coisas que nunca foram suas, como outros indivíduos, por exemplo. No limbo da inconformidade pelas coisas da natureza que a coletivização não consegue mudar. Tudo isso inconsciente. Tudo isso aparentemente normal. E quem é o egoísta, agora?

Segue o solitário por natureza sendo escachado como estranho, julgado como culpado, por um mal que ele está absolutamente à parte. Mal sabem os que nunca ficaram um dia só, aproveitando-se, quão boa é a sua companhia, a sua individualidade. E que isso não é solidão. Ou será que era sobre isso que Rousseau falava, que a sua companhia é tão insatisfatoriamente pensante, que precisa de alguém que pense e decida por você.

*Jean-Jacques Rousseau: filósofo, teórico político, escritor e compositor autodidata suíço. Iluminista e precursor do romantismo.

Guilene Leonardi
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domingo, 29 de julho de 2012

A paixão e o ego


Vou começar esse texto fazendo uma confissão, sempre achei a coisa mais ridícula do mundo alguém sofrer por paixão. Não estou falando de levar um fora, chorar um dia e depois seguir a diante. Falo de sofrer anos e anos por alguém. Mesmo nos dois casos, sempre achei o cúmulo da falta de percepção dos problemas do mundo. Tanta gente passando fome, o desmatamento, a Rocinha, o câncer, a Síria explodindo, como pode essa pessoa estar sofrendo assim por outra que não merece o seu amor? Eu nunca entendi isso. Até então.

Os escritores nos mostram que desde sempre o amor fez gente barbada chorar, bêbada nas tabernas, botequins e pubs pelo mundo. Se a paixão mudou os rumos da história tantas vezes, porque o desamor não poderia? Você talvez não imagine, mas quantos reis perderam reinados porque estavam acometidos pela dor imensa que uma dama lhes causou? E quantos poemas, que hoje nos levam às estrelas, devem ter sido escritos com lágrimas de desilusão? E as letras de músicas com suas melodias tristes, todas escritas por gente que sofreu por outra gente. Páginas e páginas dos romances, sempre com um coração partido, ou vários. Mas o que é esse sentimento tão cruel?

Sofrer absurdamente, de desencontrar-se, de desgostar do resto, de tentar voltar à superfície e não conseguir. De dormir para esquecer e ser relembrado nos sonhos. De passar anos longe, amenizando as lembranças, e mesmo assim lembrar todos os dias. De morrer um pouco a cada dia. De sorrir amarelo em festejos azuis. De receber “oi, tudo bem?” e dizer “sim”, querendo responder a verdade, mas não ter mais fôlego para falar. E ter sempre a aura de quem vela um corpo ausente, num caixão invisível, com flores de plástico. Isso tudo por não poder viver aquilo que planejara.

Mas por que o ser humano se deixa acometer pelo sentimento quando ele não é correspondido ou realizável? Há dois motivos possíveis. Um é que aconteça alguma transformação parapsicológica dentro da cabeça do indivíduo, que desconecta todas as ligações neurais e liga apenas uma a de amar e não ser amado. O outro é que somos tão primitivos nesse assunto que não admitimos perder. Lidamos com o amor como lutamos na guerra por um território e se o território não quiser ser seu, mais ainda você vai querê-lo. Isso não tem fim. Até que você ocupe a bendita terra e veja que ela nada mais é que um deserto absolutamente inabitável. Logo, “quem eu quero não me quer, quem me quer eu não quero” é o reflexo absoluto do egocentrismo humano, do mais puro narcisismo em pele de sentimentalismo. Pois, o amor só se permite ser bom para todos, quando faz alguém sofrer é porque tem algo errado.

E sempre se pensa que poderia ter dito algo que não disse. Ter enviado flores. Ter deixado de implicar com a toalha molhada em cima da cama. Ter ouvido mais os problemas sem dar opinião. Ter lavado a louça, quando ele cozinhava. Ter sido menos rígido. Ter relaxado mais. Ter respeitado mais o espaço do outro. Ter sido mais parceiro. E se, e se, e se.

A verdade é que esses “e se” não fazem mais diferença. Se o problema é falar, vá lá e fale. Mas o desprezo vai lhe fazer sofrer tanto quanto sofre o mundo com os dissabores das guerras, das doenças, da ignorância. Eu não respeitava muito quem sofria por amor, mas agora sei, o ego cega o seu coração e emudece a sua alma. Ego ferido é pior que bomba nuclear. Arrasa absurdamente a vida com uma dor devastadora.

Guilene Leonardi
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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Tabelando com o coração


“Jogos de amor são pra se jogar”, diz a música dos Paralamas do Sucesso, mas muitas perguntas pairam no ar quando o assunto é esse. Se é um jogo, tem juiz, tem regras, tem placar, tem um vencedor? Quais são as regras? Quem é o juiz? Onde estão computados os pontos? Quem pode ser considerado vencedor?

De fato, não é fácil entender essa questão. Pois, tudo é subjetivo e irracional quando o assunto é o coração, mesmo que ao jogar tentemos justificar e calcular racionalmente as atitudes. Mas existe o termo “jogo” e não é em vão. A idéia aqui é entender porquê escolhemos entrar nele e não abri-lo de cara, sem mistérios.

Você faz planos internos, diz e não diz, faz que nem liga, lança indiretas, espera, deduz, sofre, subentende, lê nas entrelinhas, enlouquece, diz que esquece e se enche de esperanças. Um turbilhão de coisas acontece dentro da gente, quando estamos jogando. Porque, o principal do jogo é não deixar nada muito claro, mesmo que você diga que quer tudo no preto e no branco, o que na verdade é mais uma estratégia, mesmo que subconsciente.

Estratégia, a palavra dos jogadores. Quem joga sem ela, não joga.  E você calcula seus atos em cima de emoções incalculáveis e tenta descobrir o que o outro está pensando ou projetar os pensamentos dele a todo o custo. Pensa em procurar uma cartomante, lê o horóscopo do outro jogador, porque a investigação é essencial para entender o adversário. Mas espere, há um adversário? Então, se eu vencer o outro perde?

É isso, jogos só são bons quando servem para instigar de leve a curiosidade e o interesse, mas são danosos quando levados a práticas mais profundas, com seus esconde e esconde infinitos e o 0x0. Pois, a única razão pelas quais o jogo do amor é aceitável é porque ele nos leva a um empate delicioso, e às revanches intermináveis que só planejam o 1x1. Não vale jogar e não viver a emoção de tabelar, driblar, suar a camiseta e gritar campeão. Não adianta nada ter dois craques sentados no banco. Então, joguem, mas dentro do campo, com realidade em todas as dimensões. E de vez em quando expulse as teorias técnicas e diga com todas as letras o que você realmente quer, o gol.


Guilene Leonardi
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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Amor com justificativas


Ontem, relendo algumas poesias de Florbela Espanca*, refleti sobre a vida, o que levamos como prioridades hoje e outrora. Fiquei vidrada no sofrimento de Florbela, que escrevia belissimamente sobre o amor. Um amor impossível e irremediável, mas sempre belo. Porque, a felicidade da autora era amar, mesmo que incorrespondida, então, pensar que ela foi infeliz é ter uma visão limitada.

Engraçado como as coisas nos tocam de formas diferentes em momentos distintos da vida. Já havia lido seus poemas antes e, mesmo os admirando, não havia percebido dessa forma. Porque, hoje consigo ver o quão doente estão os seres humanos desse mundo. Houve um tempo em que amar era uma prioridade. Sim, amar! Estar com as pessoas pelo sentimento. Escrevia-se poemas, mandava-se cartas, fazia-se serenatas, passava-se em frente à casa ou trabalho só para o encontrar ao acaso. Viajava-se o mundo atrás de um amor. Sofria-se por amor, um amor injustificável, gratuito, juvenil, casto, aromático, sensitivo, doador, inocente e tórrido.

Hoje, se cria um amor porque ele pode pagar a volta ao mundo. Hoje, o ama porque ele tem o apartamento e ela o carro, mas vai herdar uma casa do pai. Hoje, estamos juntos, porque eu fiz administração e ele se formou em medicina. Porque somos sarados da mesma academia. Desculpas práticas e irrisórias que transformam o amor na maior banalidade a venda nas prateleiras. Foi-se o tempo que um amor e um bangalô faziam a cabeça da mulherada. Hoje, se o amor da sua vida andar de bicicleta vai passar despercebido por você. É assim, não seja hipócrita. Porque, você não quer ir ao motel a pé, nem andar de ônibus de mãos dadas. A verdade é que o amor romântico morreu, ou o pior, o amor morreu.

Porque, Florbela falava sem cessar sobre o amor, sobre o amar, sobre a dor. Mas não o queria expurgar. Sentia-o com prazer, mesmo que anônima ao mundo. Pois, o conceito de aproveitar era amar e não ter. Era sentir, sem garantias de reciprocidade. Ela não perdia o seu tempo amando, pois amar nunca era perda de tempo.

Somos agentes, mas também somos vítimas de um mundo capital, que nos cobra sucesso o tempo inteiro e nos prova que o tempo é dinheiro. Que não importa o quão feliz você for, se não tiver a casa dos sonhos, o carro dos sonhos, os estudos dos sonhos, as roupas dos sonhos, o emprego dos sonhos e as atividades dos sonhos, você é um fracassado. Então, o parceiro deve convergir para esses mesmos sonhos, caso contrário, você vai demorar mais para alcançar a meta imaginária de sucesso. Buscá-lo é mais prático que buscar o amor, pois por ele você não vai sofrer e ainda caminhará rumo ao triunfo dentro do prazo.

Olhe em volta. Pense nas suas escolhas. Veja o que fez e quantas vezes teve que justificar tudo para si mesmo. Você verá que suas pisadas são matemáticas, que seus vislumbres são cifrados, que sua labuta é uma infeliz e calculada prioridade, que seu amor tem ou teve que ser uma programada congruência de interesses. Daí, então, você saberá que, no fundo, nunca soube amar só porque repudia o sofrer.


*Florbela Espanca (1894-1930), uma das maiores poetisas portuguesas de todos os tempos.


Guilene Leonardi
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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Desculpem-me os práticos, mas romantismo é fundamental


Prática, uma mulher prática. Assim ela se definia. Estudara com a ajuda dos pais, o último momento de dependência. Independente, sempre fora assim. Trabalhando, pagando suas vontades, vivendo só e rodeada de outras pessoas como ela. Buscava alguém, mas não acreditava em buquês de rosas vermelhas, bilhetes com poesias na soleira da porta depois de um soar de campainha. Não esperava mais bombons em caixas de coração, nem assistia mais romances com esperanças de vivê-los.

É fácil viver assim. Não tem como se decepcionar com um parceiro desatencioso, se você não esperar qualquer romantismo dele. Isso contribui com um relacionamento de dois não apaixonados, que estão juntos por acaso, ou por um encontro de práticos.

Os práticos são bem simples. Somos dois, queremos um, tenho casa, você tem carro, gostamos de ler Nietzsche e no horário do seu MBA eu estudo alemão. Pronto, fomos feitos um para o outro. Juntamos as escovas e esse é o máximo da nossa demonstração de amor. Até porque, morar junto é descobrir defeitos, que na prática fazem repensar se vale à pena continuar.

Amor na prática é isso. Não funciona por muito tempo e faz pensar que o tempo que durou não valeu. Sabe qual amor vale o tempo? Aquele carregado de impulsividade, paixão, passos impensados e incompatibilidades práticas. Você tem uma cama de solteiro num pensionato de freiras e ele mora com os pais. Ele tem uma moto e você tem medo de velocidade. Ele adora mostarda e você prefere catchup.  Atração natural, que faz você querer armar um clima, impressionar. Usar roupa de baixo nova. Fazer uma comida diferente. Velas. Buquês. Cheiros.

Amor impulsivo e paixão fazem você ser um romântico absolutamente antiprático. Porque, no fundo, é o que nossa personagem do primeiro parágrafo quer. É o que todo mundo quer. Poemas, jantares à luz de velas, letras de música em mensagens no celular, declarações públicas nas redes sociais. Ursinhos de pelúcia, bombons, rosas, balões, cinema, corações saindo dos ouvidos, promessas de para sempre, falta de ar quando se afastam. Que nada dura para sempre, você já é grandinho para saber. Mas também já deveria ter consciência que ajoelhar e pedir em casamento é o que você quer de verdade e o que o outro deseja.

Por isso, deixemos de ser complexados pelas separações dos pais e as brigas que presenciamos. As coisas andam muito rápidas, indolores e insensíveis como nunca. Perdeu-se o gosto por sentir, por viver todas as sensações da vida, tudo por medo de sofrer. Não tem mais como continuarmos sendo os falso-práticos que nos tornamos, só por receio de uma separação dolorosa. Faça o que te faz ser mais feliz eternamente, naquele momento. Faça o que sente vontade no íntimo. Seja romântico rapaz. Queira isso menina. Só assim ela não vai mudar logo nos primeiros anos e deixar de te desejar. Só assim ele vai continuar te conquistando dia após dia. Abra a janela e deixe os raios quentes do romantismo entrarem, vai valer à pena, vai valer o tempo que durar, eu garanto.

Guilene Leonardi
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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Paixão - doença ou cura

Viver uma paixão arrebatadora é uma questão de opção. Você vai discordar, argumentando que espera por isso, procura por isso e nada lhe acontece. Mas sim, é uma questão de opção. Vez ou outra, vidradas as atenções em alguém ou numa busca, não abrimos as portas para que nosso melhor reconheça o mundo e seja reconhecido. Estar aberto é se colocar para fora e não o contrário. Quando se põe nome na felicidade, os outros nomes se descartam e é assim que optamos por não vivê-la.

Há dois tipos de paixão, um em que nos encontramos acometidos por uma doença maligna, o outro é a cura. Antagônicos. Necessários. Optáveis. Na primeira opção pensamos que vamos morrer, não buscamos tratamento. Não vemos horizontes. Até a respiração dói e o outro é tudo. Na segunda, queremos viver mais, dormir menos, ver o sol, a lua, rir, estar junto, estar longe. Na segunda, não há dor, não há desencontro de sentimentos. Na segunda, são dois inseridos no mundo, respirando fundo e sentindo a vida entrar pelas narinas. A segunda é a que perdemos quando optamos pela primeira. Quando deixamos que a doença tome conta dos nossos órgãos, quando colocamos nome na nossa felicidade.

Optar pela cura é desprender-se, é amar-se, é distribuir-se. Porque, a natureza entende que o que dói deve ser excluído e o que floresce deve ser enaltecido. A luz do sol só irradia para o que germina, pois o resto, nem precisa dela. Então, olhe em volta na sua vida, veja o que está iluminado. Perceba quão sã é a sua opção e sem medo, selecione o que quer viver. Você tem o poder de ser feliz e irradiar isso, é só se priorizar, é só se deixar curar.

Guilene Leonardi
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sexta-feira, 23 de março de 2012

Culpado de antemão

Lendo um texto* do Luiz Eduardo Soares, sobre a regeneração daqueles que já haviam transgredido às leis, me deparei com o seguinte pensamento “no Brasil, a Justiça não reconhece as penas perpétuas”. O autor fazia referência ao julgamento popular, ao pré-julgamento geral, à impossível recuperação dos transgressores. Os fatos: o sistema prisional, as penas, os métodos regenerativos, a atuação do Estado e da sociedade frente ao indivíduo culposo hoje e o que zerou suas dívidas amanhã. Será que esse segundo é reconhecido novamente como um alguém comum? Ou será que ele nunca poderá ser visto novamente como tal?

As dúvidas que permeiam o julgamento dos que já infringiram a lei e pagaram por isso, circundam a todas as esferas julgáveis pela moral e ética humanas. Alguém que já mentiu e redimiu-se do erro, poderia ser verdadeiro? Alguém que já traiu e arrependeu-se, poderia ser fiel? Alguém que já fez fofoca e assumiu, poderia passar a ser correto? Você perdoaria?

Tenho certeza que a maioria dos leitores vai dizer que sim. Mas os ditos ‘cachorro que come ovelha só matando’, ‘pau que nasce torto nunca se endireita’, ‘uma vez bandido, sempre bandido’, escancaram o que de fato a maioria sente e vive. Não há perdão. Você pode dizer que perdoa, mas lá no seu subconsciente tem a sua memória vestida de diabinho, falando: ‘Está atrasado? Traição’; ‘Respondeu e revirou os olhos para a direita, mentiu’; ‘não conta, ele vai espalhar’. E assim adiante. Pois, você não o considera um alguém que saiu da prisão, uma pessoa que pagou seus dividendos, ele sempre será um bandido à solta. A pena é perpétua para os olhos da sociedade. Anos e anos de companheirismo e até de doação ao extremo não apagarão a cena da descoberta da traição, da mentira, da falação. É assim.

Então, por que gastamos horas com discursos sobre retidão? Por que tentamos acertar os paus que nascem tortos? Por que colocamos os bandidos em cadeias? Se não tem perdão, então o certo era a cadeira elétrica. Se nada do que ele fizer o tornará digno de confiança novamente, então, mate-o, exclua-o da sua vida. Viver na desconfiança é o pior castigo e é injusto com qualquer um. Ninguém é senhor da verdade e da retidão para poder manter qualquer um, que seja, na ceara dos malfeitores. Acreditar na regeneração do ser humano é, principalmente, dar uma chance a si, quando a sua hora de deslize chegar. Ou você se condenaria à pena de morte?

*do livro Cabeça de Porco, escrito pelo Luis Eduardo Soares junto ao rapper MV Bill e ao criador da CUFA, Celso Athayde.


Guilene Leonardi
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quinta-feira, 15 de março de 2012

Livre, leve e plenamente feliz

Trocar de bolsa é um martírio para muitas mulheres. Você quer variar, mas as mil coisas que você carrega numa, não cabem na outra, ou sempre acaba esquecendo algo. No troca-troca, às vezes, você se atrapalha. É assim na vida, também. Entre tantas coisas que você carrega, atrapalhar-se é normal, mas você quer variar, quer tudo ao mesmo tempo.

É bom ter opções, é ótimo ter acesso a muitas possibilidades. Mas carregar o que não precisa de fato é andar curvado com o tanto de peso e perder o olhar panorâmico da vida. Praticar o desapego é mais difícil que se apegar a algo e o curioso disso é que deveria ser exatamente ao contrário.

E por que isso acontece? Pois, não temos a real noção do que nos importa de fato, o que nos faz uma pessoa feliz. Se você pudesse colocar numa lista tudo o que há no seu mundo e dividir em essenciais e não essenciais, certamente descobriria que carrega uma bolsa cheia demais. E que talvez fosse melhor abandonar velhos hábitos sentimentais para poder usar uma outra sem perdas.

Mágoas, ciúmes, tristeza, saudades em demasia, egoísmo, inflexibilidade, angústias, ansiedades, desconfiança e um monte de outros, são elefantes brancos na sua vida, são os cacarecos que você leva na bolsa. Essa é a sua bagagem. Esse é o peso morto que você carrega disfarçado de personalidade forte ou de defeito intrínseco. Mas pense bem, vale à pena? Claro que não. Mude já! Desapegue-se!

Não é preciso estar sempre rindo para ser feliz. A felicidade carrega tristezas consigo. O que não pode é viver num mal estar absurdo e tentar compensar com coisas materiais absolutamente dispensáveis. Seja mais flexível, relaxe e você vai sentir que voar não é difícil, se a alma está leve.

Guilene Leonardi
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sexta-feira, 9 de março de 2012

Respirar, fonte de inspiração

Papel sem uso, cabeça vazia, quadro cru, violão silencioso, tela em branco. O início é assim, breu total. Se dar continuidade a uma ideia genial é difícil, começar é pior ainda. Pois, criar depende de humor, de ânimo, de amor. Se a cabeça não ajuda, a mente não viaja. Se faltar ar, inspirar fica quase impossível. Essa semana está assim. Sem inspiração, respirando ofegante, procurando curar meus olhares caídos. Não há um universo paralelo entre a vida do criador e a sua criação. Está tudo conectado. Coisas boas saem do seu caos, e do seu jardim de flores, quando você espreme muito, mas as genialidades fáceis estão reservadas aos momentos de euforia.

Não é preciso estar sempre feliz para realizar o trivial, mas é preciso estar com a mente livre para criar o que quer que seja. Quando a cabeça revira papéis vazios e amassados, perguntas sem respostas e bússolas desorientadas, não há foco, não há criação.

O amor faz essas coisas com a cabeça da gente. Deixa os mais racionais perdidos em mil alucinações no deserto. Não encontra direções quando lhe falta o outro, quando não existem sinais, quando o silêncio perdura. Um dia parece um mês e os segundos não se movimentam no relógio. Depressão, não. Pior, loucura, mesmo. Uma cabeça criativa cria mil possibilidades ao impossível e faz com que a razão vá morar na casa do vizinho. Não há motivos para sofrer, nem se descabelar. Mas ter paciência, esperar, é o pior que há no sistema da vida.

Não é difícil ser bacana, não é difícil ser bonito, nem inteligente. Mas ser paciente é quase impossível. A ânsia por respostas, o desejo infinito por resolver, é reflexo nítido da sociedade atual, do imediatismo. Se o seu desafio for ansiedade, calma, amigo, calma. Não há outro conselho. Se o amor traz inspiração, o desamor traz a confusão de idéias. Mas há saída.

Calma, respiração, inspiração. Isso serve para quem não trabalha com criatividade, também. Pois, é preciso estar inspirado para desempenhar qualquer coisa com prazer. Respirar fundo oxigena o cérebro, que é de onde vêm as idéias. Abra as janelas, ligue um som diferente, bata o pó das almofadas, regue as plantas. Às vezes é preciso cuidar das coisas simples, para que as complexas se resolvam naturalmente, no tempo certo, que possivelmente não é o seu.

Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Você vai querer

Dentre as prioridades da vida de uma mulher do século XXI estão o trabalho, a vida social/amorosa, a intelectualidade e o bem estar físico. As mulheres não elencam mais o casamento e a maternidade como prioridades em suas vidas. Tanto que hoje você tem menos sobrinhos, filhos de suas amigas, que se vocês tivessem essa idade há 20 ou 30 anos.

Acontece que a maternidade se descola do racional quando a mulher se aproxima da idade fatídica dos 30 anos. Sim, meninas, a natureza ainda fala, mesmo com toda a evolução da humanidade. O relógio biológico não é um conto de fadas. Ele existe e te faz engolir todas as teorias anti-bebês que você elaborou por toda a vida. Mas as mais atinadas já perceberam que o cálculo do arrumar um amor em um ano, mais dois de namoro, um de noivado, dois de casamento e voilá: filhos, não existe mais. Esse tempo todo de matemática foi para o beleléu quando você ignorou que iria passar sua genética adiante. Daí foi pega de surpresa e com as fraldas nas mãos, sem saber exatamente o que fazer com essa desesperada vontade irracional de ser mãe.

Não dá para entender? Dá sim. Seja realista. Natureza é uma coisa difícil de fugir, ou mesmo impossível. Então, mostre que é esperta e planeje. Se você tem até 34, ainda dá tempo de trabalhar isso na cabeça e organizar a vida. Porque, querida, você vai querer.

Vai querer olhar a barriga no espelho, sentir uma vida nova se formando dentro de você. Vai falar com ele, mesmo sem saber se é ele ou ela. Vai abandonar qualquer prioridade. Vai perder noites indo do seu quarto para o dele só para ver se ele ainda está respirando. Vai sentir que um pedaço seu vive sem você, é independente e tem personalidade própria, mas que você não imaginaria viver sem ele. Vai sentir felicidade e tristeza na hora do parto e quando crescer. Pois, é legal vê-lo ganhar o mundo, mas algo dentro de você vai sempre querer que ele volte a ser bebê, volte para a sua barriga.  O mais irônico é que você vai amar querer tudo isso, independente de qualquer coisa.

E nunca mais será a mesma. Vai ser estranho, vai dar um pouco de medo no início. Mas depois você vai ganhar uma espécie de injeção de força que não perde o efeito nunca. Vai defender seus filhos até de você mesma. A comparação das mães com as leoas não é à toa. São mesmo. Merecem. E tem um abismo absurdo entre a mulher antes de ser mãe e depois. De meninas mimadas a admiráveis guerreiras. Sendo assim, entregue-se a melhor coisa que pode acontecer na sua vida, ser mãe.

Guilene Leonardi
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Auto-análise, auto-amor, auto-consideração

Olhar para dentro e analisar suas atitudes com olhos críticos é a coisa mais difícil que há. Saber-se errado, perceber-se egoísta e egocêntrico em demasia é de extrema complexidade. Isso porque sair de si, dar um tempo da gente mesmo, é impossível. Estamos sempre acompanhados de nós, da nossa bagagem cerebral de lembranças, atitudes, valores e posicionamentos.

Você segue vivendo, nada lhe falta, você não perde sua personalidade e isso é o que mais lhe importa, afinal você é seu maior e único amor. Até que um dia, o destino lhe passa uma rasteira e lhe dá um alguém tão importante quando você. Então, esses seus defeitos começam a lhe prejudicar. Conviver com alguém egoísta e egocêntrico demais, é desastroso. E se você for orgulhoso, e provavelmente é, vai sofrer ainda mais.

Sim, pois amar é fazer sofrer com seus defeitos, mas fazer-se sofrer de forma muito pior. Afastar quem amamos de nós, por nossa própria culpa, por nosso egoísmo orgulhoso, atitudes impensadas, palavras duras, sinceridades grotescas é a fórmula da auto-análise.

Você não quer sofrer, não quer mais sentir aquilo. Então, percebe a sua culpa e que deseja mudar o que nunca quis. E como dói se decepcionar consigo. Mas, amar é querer ser um alguém melhor para estar ao lado da pessoa amada, mesmo que seja você mesmo.

Como concertar as taças quebradas, curar as feridas feitas, resgatar a admiração e o respeito, se não há como voltar atrás e fazer diferente? Não tem como. A decisão da mudança, por si só já é um avanço. O que precisa ser feito é tentar mudar, abandonar o orgulho e pedir perdão, inclusive e principalmente, para si mesmo. Não há quem os seus defeitos firam mais que a você mesmo. Então, busque melhorar para si e então, o outro vai perceber a sua sinceridade. Coloque-se no lugar do outro e veja se gostaria das suas atitudes. E não seja tolo pensando que se expor é ruim. Seus sentimentos são o que você tem de mais verdadeiro. Exponha-os e se permita ser feliz.

Guilene Leonardi
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A sinceridade exclui

Vendo o Jornal do Almoço, me chamou a atenção a chamada “Laisa, a gaúcha que diz o que pensa, teve recorde de votos na eliminação”. Laisa é uma moça gaúcha que foi eliminada ontem no Big Brother Brasil. Não sei sua profissão, nem sua atuação “sincera” no “BBB”, porque não assisto. Não porque ache ruim ou bom, é porque não assisto nenhum programa de televisão, mesmo. Não consigo acompanhar.

Mas, voltando à gaúcha sincera. Fiquei deveras impressionada com o tal recorde de votos em decorrência de sua sinceridade demasiada. É fato que as gaúchas tem um não-sei-quê de testosterona em suas veias. É curioso isso, pois o Estado em que os homens se dizem os mais machos do Brasil, tem também as mulheres mais bonitas e mais bravas? Ao que entendi, Laisa não tinha frescuras, não demonstrava fraquezas, falava o que pensava sem medo de ser julgada e mesmo assim era uma das mais bonitas do programa. Uma gaúcha nata, então.

Porém, o que para uns podem ser qualidades, para outros são defeitos irremediáveis. Ser sincero é uma qualidade, desde que você não aponte defeitos reais de alguém, muito menos que a verdade traga à tona a desnecessária submissão das mulheres em função dos homens. Sim, Laisa, você foi eliminada porque era sincera. Ninguém gosta da verdade quando ela dói. Essa é a realidade.

A sociedade não gosta de mentiras, essa é a maior mentira da sociedade. Mentir faz bem para o bom convívio. É o que muitas vezes chamamos de educação. Trato bem fulano e beltrano, mas de fato não os suporto. Educação ou mentira? Digo o que penso para quem quer que seja. Má educação ou sinceridade? Na vida passa batido, numa casa com filmadoras por todos os lados, eliminação recorde.

Assim funciona. É preciso ter um termômetro. Pois, a verdade e a sinceridade devem ser constantes, mas, por outro lado, não se pode agredir ninguém com desrespeito, mesmo que aquela verdade só pertença ao receptor. Isso não para poupar o ouvinte, mas para não ser eliminado com recorde de votos. Porque, a vida te elimina de vários programas, te exclui de atuações importantes para você, mesmo. Então, meça seu comportamento, viva mais leve, seja mais light. É difícil? Concordo. Mas o mais difícil da vida é trabalhar o seu auto-retrato.

Guilene Leonardi
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Traição ou não? Eis a questão.

Todos os dias, todos os minutos, alguém em algum lugar está quebrando o acordo de fidelidade com outro alguém. Está mais do que escrachado na cara da sociedade, que esse “valor” estipulado como meta nos relacionamentos, cai por terra de largada. Quantos casais você conhece que de fato foram fiéis um ao outro durante o relacionamento inteiro? Daí vamos entrar na discussão do que é traição e do que não é. Vou estabelecer um ponto de partida: envolveu flerte com outra pessoa, é traição, independente do contato físico ou não.

Então, se é uma meta fadada ao fracasso, já de largada, como pode ser o determinante rígido para por fim a uma relação? Se você pudesse colocar na balança os tipos de envolvimentos, pesaria mais aquele com as quais uma pessoa escolhe viver e dividir o diário ou aquele furtivo por um final de semana, sem valor posterior? Funciona mais ou menos assim. Um vence o outro, mas pelas regras em que vivemos de conduta, o que pesa menos na balança, geralmente vence. Fato absolutamente incongruente.

Daí então, temos duas pessoas que se amam separadas por um caso desimportante e ocasional. Isso é muito triste. Uma mulher perdoa o marido por contar seu maior segredo aos amigos, mas não o perdoa por uma mensagem estranha de uma suposta amiga no celular. O namorado não admite aquela amizade dela, mas ela ter sido mal educada com a mãe dele está perdoada. Perdoa todas as vezes que ele bebeu e bateu nela, mas a pulada de cerca, via internet, nem pensar. Desculpa a falta de parceria dela, e todas as vezes que falou mal dele para as amigas, mas jamais vai desculpar a escapadela inconseqüente com o colega de academia.

Dói saber que o outro teve interesse por alguém? Dói. Mas será que essas outras mazelas do comportamento humano não deveriam doer mais e serem mais determinantes ao fim de um relacionamento que a suposta traição? É preciso repensar o que de fato é importante, fidelidade ou lealdade.

Não estou concordando com os que levam vidas duplas de mentiras e enganações. Apenas apontando para essa mazela comportamental dos casais, não saber pesar de fato as problemáticas do dia-a-dia. Fidelidade não tem a ver com traição. Traição é não ser leal, é ser mau, é enganar, é usurpar, é tripudiar e tantas outras coisas que vemos serem perdoadas com mais facilidade que uma pulada de cerca.

Afinal de contas, ser humano nenhum pode garantir que nunca vai estar fragilizado num momento qualquer da vida, que não possa vir a cair na tentação do inusitado. Até porque, somos sedentos por novidades. Errado ou certo. Não posso avaliar. Mas não julgue de antemão, nem predetermine a sentença da guilhotina, pois o pescoço pode ser o seu.

Guilene Leonardi
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Nas pegadas da memória

Tenho saudades da minha infância, da pré-adolescência, da adolescência, da faculdade, das festas, dos primeiros anos de namoro. Enfim, tenho saudades de épocas, saudades de um tempo que passou. Mas, também, saudades das pessoas. Gente que foi morar em outra cidade, ou que ficou na cidade onde morávamos, dos que já partiram, dos que simplesmente não vejo mais. Ter saudades é natural e é bom, sinal que valeu à pena.

Vez ou outra, tentamos resgatar coisas e pessoas que moram nas lembranças, e então percebemos que o que faz parte do passado continua lá. E lá deve continuar. Ninguém é mais o mesmo. Tentar reviver é ignorar o presente e fazer com que ele não tenha valor para o futuro. Pois, o que realmente sentimos saudades, quando lembramos, é de nós mesmos, do que fomos, e isso é irreversível.

Não tem como reviver o frio na barriga do primeiro beijo, pois ele já foi dado. Nem como sentir vergonha do primeiro fora que levou, pois já levou vários. Nem como achar tanta graça de uma piada que você já sabe o final. Muito menos reviver suas indignações por coisas que você não compreendia, pois já compreende. Aquele jogo virou, as cartas já são conhecidas. Não tente as mesmas jogadas. A graça de viver está na tensão do desconhecido.

Quem você foi lhe fez quem é hoje e é assim, também, que acontece com as outras pessoas que fazem parte da sua vida. Tenha saudades, não tenha arrependimentos, nem tente voltar. Faça hoje as coisas que você vai sentir falta amanhã. E não pense que aquela felicidade foi usurpada das suas mãos, pois não foi. Tudo dura o tempo que deve durar, cabe a você respeitar esse sentimento tão sábio que é a saudade e agradecer ao cérebro pelas lembranças. Do contrário, seremos eternos insatisfeitos. Sentir isso e ainda assim dar valor ao presente, sabendo que deve aproveitar ao máximo os momentos, pois vai sentir saudades deles no futuro, é coisa para gente forte. Gente que aceita quantas agulhadas de tristeza a vida tiver que lhe dar para que a felicidade seja plena.

Guilene Leonardi
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A dança da paixão

A paixão é algo curioso. De uma hora para outra você está absolutamente focado numa pessoa desconhecida ou que você nunca tinha percebido. Às vezes, ela não tem nada daquilo que você buscava ou, pior, é o oposto do que você desejava. Mas você não percebe isso, tamanho feitiço que a paixão causa nas suas percepções. Seus olhos vêem charme naquela barriguinha de chopp, que você tinha aversão; seus ouvidos começam a dançar salsa, que você nem conhecia; sua boca se delicia com chiclete de canela, que você tinha nojo; e seu nariz sai a buscar aquele perfume por todos os lugares. Tudo isso só porque você quer se aproximar do alvo do seu desejo. Quer ter coisas em comum para poder ser interessante aos olhos do outro.

Parabéns, se você faz isso, porque funciona, mesmo. Vocês vão curtir bons momentos juntos. Mas vai chegar uma hora que não vai bastar querer forçar as semelhanças ou mesmo conviver com grandes diferenças. Pois elas existem, você sabe disso. Mudou porque quis e mesmo que não tenha mudado, a falta de sintonia natural vai gritar alto quando a paixão for esfriando. Ela sempre esfria.

Esse é o grande pecado da paixão. Os opostos se atraem e quando mais precisam de semelhanças, para continuarem juntos, elas não existem. Discussões em que nenhum vence, mas que os dois têm razão. Cada um de um lado da corda, puxando incansavelmente, até soltar.

Admirar e entender as diferenças são os primeiros passos para que essa paixão tenha uma vida mais longa. Mas não tente correr no ritmo dele para aquelas coisas que só o motivam. Você vai querer cobrar o cansaço depois e não vai ter esse direito. Companheirismo e parceria não podem ser confundidos com falta de personalidade ou com estar 100% do tempo juntos. Espaços delimitados são importantes.

Por outro lado, quando a paixão esfria e o balanço dele já não requebra seus quadris, é hora de ser tão persistente, com seus desejos, como você foi no início. Saiba terminar o que começou, principalmente com a motivação com que começou. Pois, essa é a beleza da vida, ela é cíclica. E não diga que não deu certo. Vocês quiseram e dançaram naquele ritmo por um tempo, foi delicioso, mas a música enjoou.

Guilene Leonardi
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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A incógnita carência

A carência é um dos sentimentos que mais usa disfarces. São máscaras tão perfeitas que nem a identificamos dentro de nós. Ela dissimula desculpas e nos leva a realizar coisas que dão uma falsa sensação de felicidade, mas que logo é invalidada por uma insatisfação voraz.

Há muito mais gente em relacionamentos por carência do que se imagina. Você precisava de alguém, apareceu. Tinham muitas coisas em comum e era legal estar junto. Gostavam da companhia um do outro. “Por que não?” Você pensa. Então começam um relacionamento e logo ele ganha o “eu te amo” rotineiro.  A carência foi levando você com uma venda frouxa nos olhos, mas a vida não parou.

Por quanto tempo alguém consegue continuar cegado por ela, sem saber seus verdadeiros sentimentos? Já vi casos de casamentos longos, terminando do nada. E esse nada era a venda caindo. Pois, subconscientemente, o ser humano tem uma aversão maior a ser carente do que qualquer outra coisa. Então, ele tenta de qualquer forma aniquilar esse sentimento dentro de si, que não consegue sequer percebê-lo.

Carência é sinônimo de fraqueza, de não auto-suficiência, de dependência, de tristeza. Precisar do outro para ser completo é natural, mas não é qualquer outro. Assim, a confusão quem faz somos nós mesmos, que ao tentar ignorar a existência dessa necessidade, caímos nas graças dela e erramos nas escolhas.

Quando a carência se disfarça de amor, daí são anos e anos junto de alguém que é ótimo, mas que não amamos de verdade. Achando que amamos, usamos o amor como desculpa para não terminar com aquela insatisfação, acreditando que a mesma vem por incompatibilidade ou por um momento ruim que estamos vivendo.

O fato é que amar não é coisa fácil de acontecer, mas também não é tão raro. O amor, às vezes, acontece por uma pessoa com quem vai ser difícil conviver, que tem defeitos das quais conhecemos, que tem perspectivas diferentes das nossas. Mas que sem ela, qualquer outro relacionamento vai nos fazer incompletos, vai ser por carência e nós vamos tentar entender porque não somos felizes com aquela pessoa tão perfeita, sem sucesso de análise.

O certo é tentar desvendar as nossas carências em qualquer campo da vida. Deixar que ela fale alto, para não se enganar com um falso sussurro imitando outra voz. Quer se entregar por carência? Vá consciente. Mas saiba sempre que quem fala é ela e não o amor. Porque, se você se enganar com ela, quando cair a máscara, vai olhar para trás e sentir o vazio incógnito da falsa felicidade.

Guilene Leonardi
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Colegas mais que colegas

Tudo ia bem, casa, filhos, amor e estabilidade financeira. De repente ela larga tudo isso por um caso tórrido com um colega de trabalho, que rolou no elevador da empresa.
Ele a amava e estavam namorando sério, pensando em casamento. Até que, num dia, ele foi enfeitiçado loucamente pela colega recém chegada, resultando em amassos pelos corredores do almoxarifado.
Ela solteira e ele também, todos os dias trabalhando juntos, contando segredos e compartilhando coisas da vida. Colegas e amigos. Até que furtivamente, entre um drink e outro, se encontram na festa de final e ano.

Nos três casos o mesmo fim. Colegas de trabalho com algum envolvimento amoroso. Como isso acontece? Em um piscar de olhos, deixamos de estar ali como profissionais e nos vemos inebriados por uma espécie de nuvem de gás do desejo. Sem pensar nas conseqüências, os envolvidos se entregam e depois quase morrem num sentimento de culpa e vergonha. Isso acontece porque, obrigatoriamente, você vai ver o outro no próximo dia de trabalho. Envolvendo traição ou não, ficar com um colega pode ser um grande tiro no pé.

Primeiro, porque algumas empresas não permitem relacionamentos amorosos entre funcionários. Segundo, que se para você for apenas um flerte inconseqüente, para o outro pode ter um sentimento diferente e vocês vão ter que conviver depois. Terceiro, se for uma traição e for descoberta, pode gerar brigas e desconfianças de todos.

Por outro lado, encontrar alguém ali, no seu local de trabalho, já denota muitas afinidades. Vocês provavelmente tenham muito em comum, gostos, papos e muitas risadas sobre o dia-a-dia. O fascínio deve vir de conhecer a pessoa diariamente. De aceitar os defeitos e os predicados. De entender quando ela está de TPM e quando o time dele perdeu. De saber como ele toma o café e a bolachinha que ela come no intervalo. De perceber, plenamente, expressões e olhares sem dizer uma palavra, quando não podem compartilhar em público uma idéia. De almoçar todos os dias juntos e contar coisas pessoais. Isso é cumplicidade natural.

Porque, tentar entender a hora que o olho brilha e o interesse acontece é perder tempo. Mas é fato que, vez ou outra, acontece uma mágica entre colegas de trabalho. Quem ainda não teve um caso desses, nem que seja platônico, ainda vai ter. E nesse dia, não tente pensar muito nas consequências, pois de qualquer forma elas vão acontecer. Independente se você optar ou não pela entrega. Mesmo assim, não tente ter tanto controle sobre o destino, assegure que você é esperto, mas nunca ao ponto de se privar das surpresas e riscos da vida, pois sem eles não terá graça alguma viver. Arriscar, às vezes, é a única forma verdadeira de expressar as vontades mais íntimas e encontrar as alegrias mais inusitadas. Então, permita-se!

Guilene Leonardi
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A resistência do amor

Conheceram-se na internet e se apaixonaram. Ela a mulher da vida dele, ele o homem da vida dela. O sentimento não era virtual, era real. A distância entre suas cidades não podia mais existir, então ela largou tudo para ficar com ele, pertinho, juntinho, viver o mundo que sonharam para si entre um bate-papo e outro. Foi morar com ele sem cogitar possibilidades negativas. Não pensou duas vezes. Não pensou.

Muitos diriam que ela foi imatura, outros que foi corajosa. Acontece que só saberemos de fato como designá-la através do resultado disso. Eles são exatamente o que pintaram na internet? Claro que não. Dificilmente alguém vai ser nua e cruamente o que é através da telinha, pois o teclado nos dá tempo de pensar antes de escrever. Só ao vivo vemos as respostas intempestivas que revelam o âmago do ser humano. Por outro lado, nos permite ver mais de um indivíduo que numa balada, por exemplo.

Mas voltando ao resultado, começaram a conviver diariamente de forma abrupta. Então, apareceram os defeitos. Ela descobriu que ele tinha os defeitos mais abominados por ela. Ele não era uma má pessoa, mas mentia. Não a traía, antes que o leitor pense isso. Mentia sobre sua independência, sobre sua sede pelo mundo, mentia sobre sonhos. Ela descobriu dia após dia essas mentiras. Viu nele uma ilusão juvenil sobre a vida. Uma infantilidade irremediável e completamente íntima. Nada do que ela era, nada do que ela queria.

Até que ponto o amor pode resistir? Ela deve querer mudá-lo para preservar o amor? Ou deve se manter passiva aos fatos e às suas vontades? Até que ponto alguém deve abrir mão dos sonhos em nome do amor?
Não há ponto. O equilíbrio é o maior desafio do ser humano. Eu me arriscaria a dizer que ninguém no mundo é equilibrado. Se ela for embora buscar realizar seus sonhos, abre mão do amor. Se ficar, abre mão dos sonhos. As dúvidas nos tornam frágeis. Não há meios termos, não há tranqüilidade. Viver é escolher, ter medo é errar. É tenso. 

Seja qual for a escolha dela, que ela aceite sem arrependimentos e sem olhar para trás. Porque, o amor resiste tanto quanto nós nos esforçarmos para isso. Amar é fácil, conviver é esforço. Entregar-se às escolhas é o primeiro passo para querer verdadeira e equilibradamente ser feliz.

Guilene Leonardi
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Assumidamente eu quero ou não

Li essa expressão no facebook e achei genial. Quando alguém pergunta como está o coração de um solteiro, ou ele responde como se não estivesse aberto para nenhum relacionamento ou parece estar desesperado. Nos dois casos é exagero, portanto, não é a realidade. Estar solteiro não é sinônimo de desespero. Se fosse, ele estaria num relacionamento ruim com qualquer um, apenas para não estar solteiro. Além disso, ninguém está fechado para nada, nunca.

Por isso, a resposta prática. Se quero ou não alguém, depende. Estar aberto a conhecer pessoas diferentes não é ter que aceitar qualquer peixe que se jogar na rede. Ou fechar-se de antemão. Não é preciso fazer uma lista de competências para preencher a vaga. Até porque é inútil. Quando bate o olho e toca o sino do desejo, ela pode ter joanete que você vai querer igual.

Lembre dos seus últimos relacionamentos e dos defeitos terríveis que eles tinham. Quando tudo começou, você não via nenhum desses defeitos. Enumerar qualidades para busca do futuro pretendente prejudica a busca. O universo ouve tudo e exclui aqueles que você previamente desclassificou. Já pensou se dentre os desclassificados estava a melhor opção? Os preconceitos sobre qual estereótipo é ideal para você ou não, geralmente estão equivocados. Pois, as pessoas são diferentes, mesmo. Dois amigos podem conviver a vida inteira juntos e ter as mesmas influências do meio, mas serão parceiros diferentes de suas companheiras. Não faça avaliações prévias. Deixe rolar.

Então, fique tranqüilo. A ansiedade esconde quem somos e pinta uma imagem ruim de nós. Ocupe a cabeça com outras coisas, mas esteja assumidamente aberto. Aliás, com olhos, ouvidos e coração bem abertos. O importante é sempre a sinceridade. Se bater o sino, deixe que o outro ouça o barulho.

Guilene Leonardi
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Despertando leoas

Fazendo um trabalho sobre Nelson Rodrigues, me deparei com a seguinte frase: A mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível. O autor, como todos já sabem, tinha um olhar bastante particular sobre as coisas do cotidiano. Muitas delas polêmicas e com um misto de boemia e trauma social. Mas não me atrevo a avaliar seu lado pessoal, afinal ele era um gênio, incondicionalmente.

Voltando à frase que me chamou a atenção. Nelson Rodrigues falava da turbulência das mulheres que colocam uma pitada de emoção na relação. Um ciúmes cá, uma surpresa na cama lá, uma revelação na personalidade acolá. Coisas que tiram o relacionamento da zona de inércia e balançam as bases.

A frieza das mulheres é mais comum do que se imagina. Por anos fomos educadas a sermos esposas perfeitas e isso resultou na pior das imperfeições: viramos leoas adormecidas. Nossa excitação pela vida foi reacionada há pouquíssimo tempo e a maioria de nós continua sendo gélida consigo. Não se enganem homens, boa parte disso é culpa de vocês. Vocês querem as perfeitinhas para serem mães dos filhos de vocês, porque não aturariam uma mãe cheia de personalidade sexual e de posicionamento firme. Mas sabem reclamar duramente das esposas frígidas.

Acontece que uma coisa não exclui a outra. Ter personalidade forte profissional, sexual e amorosa, não significa que será uma doida varrida. Quando descobrimos o que nos coloca fogo nos olhos, e fazemos, assusta um pouco quem nos vê, mas nos devolve a nossa autenticidade e a admiração. O diferencial de cada mulher é a forma com as quais ela dá a sua dentada. Como redescobrir essa forma? Instigue-se, instigue-a.

Ela gosta de sexo tanto quanto ele, gosta de ficar com os amigos dela tanto quanto ele, gostaria de ser solteira tanto quanto ele. Então, está tudo dentro dela, é só tirar. Ajude a despertar essa leoa. Cutuque com vara curta. Intime. Chame para a briga. Vá aos extremos de vez em quando.

Pois quem pode ser mãe, pode fazer qualquer coisa por si, pelo relacionamento e com o seu amor. Tenha segredos íntimos e os libere em pílulas, surpreenda. Morder para arrancar pedaços. E os gemidos, podem ter certeza, não serão de dor.

Guilene Leonardi
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Amores mano a mano

Uma amiga, recém chegada das férias em BsAs, me falava dos amores porteños que deixou por lá. Todas as intenções de uma mulher solteira, de férias, seriam óbvias. Rápidos flertes, sem desejar nada a mais que uma aventura sobre solo de Gardel. Mas pensar isso é esquecer que todas as paixões ao som de tango são maximizadas. Ele tem o poder de descrever as loucuras que passam em nossas cabeças e que jamais diríamos.

Tudo fica mais intenso com esse ritmo. O coração corre ofegante. Os olhos vidram e a alma tem tom vermelho de ferro em brasa. A terra parece mais quente e o dia de amanhã menos provável. Faz encantar os ouvidos, deixa o vinho mais entorpecente e os perfumes mais inebriantes.

Um bar decorado com madeira escura, meia luz, tocando Ignacio Corsini e um bom pinot. Garantia de romance ou de sofrer por um. Sofrendo ou não, as paixões tórridas são essenciais para nossa felicidade.

Mas não é preciso deixar o coração do outro lado da fronteira para vivê-las. Quem já se apaixonou loucamente Por Una Cabeza sabe que vai cobrar o Mano a Mano depois. Além da boa dose dramática de torcer por um Sus Ojos Se Cerraron.  Porque no fundo, todos os amantes esperam El Dia Que Me Quieras, mesmo que jurem desejar apenas as Rubias de New York.

Guilene Leonardi
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Entre dois amores, nenhuma sinceridade

Algumas coisas são complicadas na vida amorosa. Seja qual for a sua opção de vida, nunca é ficar sozinho. Então, conquistamos algumas pessoas, somos conquistados, nos apaixonamos, e o último estágio é o amor. Por ser o último e o mais difícil de acontecer, é raro que aconteça por duas pessoas ao mesmo tempo.
Eu posso gostar de um e de outro, não tenho nada sério com nenhum dos dois, mas gosto deles de forma igual. Isso é completamente natural. Porém, quando o assunto ficar sério, vou acabar tendo que escolher um só.

Nada mais justo, já que vivemos numa sociedade monogâmica. Mas não vim aqui para falar de leis. Vim aqui para entender se o coração de fato é monogâmico.

Em determinado momento da vida, ela se apaixonou por Marcos e construíram um relacionamento estável, com filhos e amor. Mas num belo dia topou com João nos corredores do supermercado e voilà: coração ofegante, tal qual sentiu com o Marcos. Mas voltou para casa e viu o homem com quem era casada, e como ainda o amava. Ela vai acabar optando por um dos dois. 

Isso é sincero e verdadeiro? Essa é a questão. Vivemos numa sociedade que não quer a sinceridade e a veracidade dos sentimentos. Para que a ordem perdure, o amor teve seu espaço delimitado e ela não poderá amar os dois de forma igual e ao mesmo tempo, pois acima de tudo vai se sentir culpada.

Ninguém quer viver isso e você possivelmente achará mil desculpas para invalidar um dos sentimentos dela. Mas e se eu lhe garantir que isso é possível? Que não há só uma metade da laranja? Que somos multigomos que se encaixam e que poderíamos amar de verdade tantas outras pessoas? Isso não é dividir, não é ficar em dúvida. É somar.

Dizer que só há um amor verdadeiro na vida inteira do sujeito, seria subjugar as nossas capacidades cerebrais e emocionais. Aceitando que podemos amar mais de uma pessoa durante a vida, é plenamente aceitável que isso possa coincidir. Então, a monogamia acaba sendo a foice que termina com o viço do trigo, corta rente para alimentar a família.

Não tenho a intenção de mudar os fatos legais, nem nada. Mas levantar uma hipótese que talvez nunca tenha passado pela sua cabeça. Que exigimos verdade e sinceridade sob as tantas realidades adversas da nossa própria natureza inconsciente.

Assim seguimos, iludindo a nós mesmos que o amor é exclusividade, já que nunca nos aconteceu essa coincidência, e por comodidade lançamos sempre o mesmo conselho: você vai ter que escolher e não tem a opção de escolher os dois.

Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Em busca do equilíbrio

Ao que se sabe, a vida é composta por 4 esferas principais: trabalho, pessoas (família+amigos) , espiritualidade e o relacionamento afetivo. Tudo isso apoiado numa espécie de pilar que é a individualidade. Fosse isso natural, que da teoria fosse direto à prática, essas coisas deveriam estar equilibradas, imaginando uma balança com 4 pratos e uma base bem sólida. Porém, na correria do dia-a-dia, não nos apercebemos que nossas inquietações estão ligadas ao prato que subiu, talvez porque nunca tenhamos dado importância a ele. Parece quase impossível, mas para a felicidade se manter plena é preciso que as quatro esferas estejam em equilíbrio.

Vou me ater a mais difícil delas. Como equilibrar a vida permeando as novas teorias do amor? Qual a possibilidade real, no mundo louco em que vivemos, de que as duas pessoas, que equilibrariam os pratos das balanças um do outro, estejam no mesmo momento de busca, quando se encontram? Difícil.

Pois bem, sejamos francos, ele estava com o coração aberto, pronto para receber uma nova paixão, ela estava num rolo complicado sem solução. Ele a percebeu, ela nem notou. Ele deu a entender que a queria, ela nem cogitava a dimensão que isso poderia ter e continuou a remoer possibilidades com o presente incômodo. Assim continuaram: ela infeliz, ele sozinho.
E se ele ao insistir não fosse taxado de otário, mas sim de vitorioso? Afinal, quem luta pelo amor é um vitorioso. Com o intuito que ela chegasse, em algum momento, ao mesmo estágio de abertura e enfim pudessem equilibrar suas vidas?

É disso que se trata. Deixamos de lutar pelas pessoas, pois temos medo de sofrer agudamente. Mas sofremos lentamente e de forma crônica a vida insatisfatória.
Enquanto não entendermos que o amor não será próspero e verdadeiro mutuamente só quando é correspondido no primeiro olhar e que insistir em que realmente queremos é perder meses, mas ganhar anos, continuará havendo tantas pessoas insatisfeitas por aí.

Contar com a sorte para equilibrar um prato da balança é a roleta russa da insatisfação. Por isso, não tenha medo! Se jogue, insista, leve nãos, faça poemas, serenatas, mande mensagens de texto, ligue, mas não desista tão fácil assim. Se é o cara certo? Não tem como saber, o mundo não dá garantias para esse tipo de coisa. Mas se você tentar incansavelmente equilibrar sua balança, o universo vai garantir a sua felicidade.

Guilene Leonardi
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