sexta-feira, 26 de abril de 2013

Febril


Tolo e em tolices te debruças,
Pintando corações onde há fuligem,
Crendo em arco-íris furta-cor
Descabelado e rendido.

Essa mania de acreditar
De tentar eternizar
Esse jeito infantil de suspirar
E crer, e perseguir, e exaltar

Porque tudo em ti é amor
Amor gratuito, de semear
Inconsequente, desnudo
Intransigente.

E essa inocência que te admiro
Que ames sabendo e sem querer saber
A ignorância pescadora de felicidade
Viver intenso do que vazio morrer.



Guilene Leonardi

*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Hiato


Cada estação uma novidade
E em teu pulmão um novo suspiro
Porque não procuras a eternidade
Mas toda a diversidade do finito

A tua boca cínica
Proferindo desejos hipócritas
E as inocências confortáveis
Dos homens que te amaram

Selvas incólumes nas tuas cavidades
Átrio e ventrículo intactos, inabitados.
As posses todas articuladas pela endorfina
Motivadas logo abaixo do umbigo e acima do ego

Se eu fosse juiz da tua insaciabilidade,
Cortaria as cordas dos teus amores fúteis,
Arrancaria tuas promessas sinceras,
As mentiras dilacerantes das tuas mãos fogosas.


Guilene Leonardi

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