Há uma coisa muito ruim, habitando o ser humano, que se
chama medo. O medo atormenta, cega, ludibria, enfeitiça e leva o indivíduo por
caminhos equivocados. Nada é mais açoitador que o medo, pois ele acorrenta sem
correntes e dói sem chibatas. Mas isso tudo parece muito óbvio. O que não é tão
fácil de perceber é quando somos nós os acuados por ele.
Quando um cavalo passa encilhado e você tem que pular para
montar; quando um desconhecido estende a mão e você tem que confiar; quando um
processo cirúrgico inovador pode salvar sua vida e você tem que acreditar;
quando alguém erra, promete não errar mais e você deve crer; quando o amor
surge de repente e você não pode titubear. Mas você não pula, não confia, não
crê, não acredita e titubeia. Isso é o medo roubando a cena da oportunidade de
ser feliz.
A vida é um relógio com corda sem fim. Não para, não dá
tempo para medos e inseguranças. Ou você monta no cavalo ou ele passa encilhado
e depois você torce para vir outro. O receio de ser otário, babaca, trouxa e de
ser passado pra trás. Acaba te tornando um covarde diante da vida e só por isso
você já merece todos os adjetivos da frase anterior. E afinal, cair é natural
das vivências. Arriscar é a única forma de saber se é ou não é a melhor opção.
No amor, nas oportunidades, no manter-se vivo e nas amizades não existem
garantias. Se você cair, basta levantar. O tempo vai passar igual para você, e
não sentir nada não pode ser melhor que sentir alegria e dor.
A verdade é que o medo não deixa viver e que a felicidade é
própria dos destemidos.
Guilene
Leonardi
*Se
gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de
propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!