sexta-feira, 23 de março de 2012

Culpado de antemão

Lendo um texto* do Luiz Eduardo Soares, sobre a regeneração daqueles que já haviam transgredido às leis, me deparei com o seguinte pensamento “no Brasil, a Justiça não reconhece as penas perpétuas”. O autor fazia referência ao julgamento popular, ao pré-julgamento geral, à impossível recuperação dos transgressores. Os fatos: o sistema prisional, as penas, os métodos regenerativos, a atuação do Estado e da sociedade frente ao indivíduo culposo hoje e o que zerou suas dívidas amanhã. Será que esse segundo é reconhecido novamente como um alguém comum? Ou será que ele nunca poderá ser visto novamente como tal?

As dúvidas que permeiam o julgamento dos que já infringiram a lei e pagaram por isso, circundam a todas as esferas julgáveis pela moral e ética humanas. Alguém que já mentiu e redimiu-se do erro, poderia ser verdadeiro? Alguém que já traiu e arrependeu-se, poderia ser fiel? Alguém que já fez fofoca e assumiu, poderia passar a ser correto? Você perdoaria?

Tenho certeza que a maioria dos leitores vai dizer que sim. Mas os ditos ‘cachorro que come ovelha só matando’, ‘pau que nasce torto nunca se endireita’, ‘uma vez bandido, sempre bandido’, escancaram o que de fato a maioria sente e vive. Não há perdão. Você pode dizer que perdoa, mas lá no seu subconsciente tem a sua memória vestida de diabinho, falando: ‘Está atrasado? Traição’; ‘Respondeu e revirou os olhos para a direita, mentiu’; ‘não conta, ele vai espalhar’. E assim adiante. Pois, você não o considera um alguém que saiu da prisão, uma pessoa que pagou seus dividendos, ele sempre será um bandido à solta. A pena é perpétua para os olhos da sociedade. Anos e anos de companheirismo e até de doação ao extremo não apagarão a cena da descoberta da traição, da mentira, da falação. É assim.

Então, por que gastamos horas com discursos sobre retidão? Por que tentamos acertar os paus que nascem tortos? Por que colocamos os bandidos em cadeias? Se não tem perdão, então o certo era a cadeira elétrica. Se nada do que ele fizer o tornará digno de confiança novamente, então, mate-o, exclua-o da sua vida. Viver na desconfiança é o pior castigo e é injusto com qualquer um. Ninguém é senhor da verdade e da retidão para poder manter qualquer um, que seja, na ceara dos malfeitores. Acreditar na regeneração do ser humano é, principalmente, dar uma chance a si, quando a sua hora de deslize chegar. Ou você se condenaria à pena de morte?

*do livro Cabeça de Porco, escrito pelo Luis Eduardo Soares junto ao rapper MV Bill e ao criador da CUFA, Celso Athayde.


Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada! 

quinta-feira, 15 de março de 2012

Livre, leve e plenamente feliz

Trocar de bolsa é um martírio para muitas mulheres. Você quer variar, mas as mil coisas que você carrega numa, não cabem na outra, ou sempre acaba esquecendo algo. No troca-troca, às vezes, você se atrapalha. É assim na vida, também. Entre tantas coisas que você carrega, atrapalhar-se é normal, mas você quer variar, quer tudo ao mesmo tempo.

É bom ter opções, é ótimo ter acesso a muitas possibilidades. Mas carregar o que não precisa de fato é andar curvado com o tanto de peso e perder o olhar panorâmico da vida. Praticar o desapego é mais difícil que se apegar a algo e o curioso disso é que deveria ser exatamente ao contrário.

E por que isso acontece? Pois, não temos a real noção do que nos importa de fato, o que nos faz uma pessoa feliz. Se você pudesse colocar numa lista tudo o que há no seu mundo e dividir em essenciais e não essenciais, certamente descobriria que carrega uma bolsa cheia demais. E que talvez fosse melhor abandonar velhos hábitos sentimentais para poder usar uma outra sem perdas.

Mágoas, ciúmes, tristeza, saudades em demasia, egoísmo, inflexibilidade, angústias, ansiedades, desconfiança e um monte de outros, são elefantes brancos na sua vida, são os cacarecos que você leva na bolsa. Essa é a sua bagagem. Esse é o peso morto que você carrega disfarçado de personalidade forte ou de defeito intrínseco. Mas pense bem, vale à pena? Claro que não. Mude já! Desapegue-se!

Não é preciso estar sempre rindo para ser feliz. A felicidade carrega tristezas consigo. O que não pode é viver num mal estar absurdo e tentar compensar com coisas materiais absolutamente dispensáveis. Seja mais flexível, relaxe e você vai sentir que voar não é difícil, se a alma está leve.

Guilene Leonardi
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sexta-feira, 9 de março de 2012

Respirar, fonte de inspiração

Papel sem uso, cabeça vazia, quadro cru, violão silencioso, tela em branco. O início é assim, breu total. Se dar continuidade a uma ideia genial é difícil, começar é pior ainda. Pois, criar depende de humor, de ânimo, de amor. Se a cabeça não ajuda, a mente não viaja. Se faltar ar, inspirar fica quase impossível. Essa semana está assim. Sem inspiração, respirando ofegante, procurando curar meus olhares caídos. Não há um universo paralelo entre a vida do criador e a sua criação. Está tudo conectado. Coisas boas saem do seu caos, e do seu jardim de flores, quando você espreme muito, mas as genialidades fáceis estão reservadas aos momentos de euforia.

Não é preciso estar sempre feliz para realizar o trivial, mas é preciso estar com a mente livre para criar o que quer que seja. Quando a cabeça revira papéis vazios e amassados, perguntas sem respostas e bússolas desorientadas, não há foco, não há criação.

O amor faz essas coisas com a cabeça da gente. Deixa os mais racionais perdidos em mil alucinações no deserto. Não encontra direções quando lhe falta o outro, quando não existem sinais, quando o silêncio perdura. Um dia parece um mês e os segundos não se movimentam no relógio. Depressão, não. Pior, loucura, mesmo. Uma cabeça criativa cria mil possibilidades ao impossível e faz com que a razão vá morar na casa do vizinho. Não há motivos para sofrer, nem se descabelar. Mas ter paciência, esperar, é o pior que há no sistema da vida.

Não é difícil ser bacana, não é difícil ser bonito, nem inteligente. Mas ser paciente é quase impossível. A ânsia por respostas, o desejo infinito por resolver, é reflexo nítido da sociedade atual, do imediatismo. Se o seu desafio for ansiedade, calma, amigo, calma. Não há outro conselho. Se o amor traz inspiração, o desamor traz a confusão de idéias. Mas há saída.

Calma, respiração, inspiração. Isso serve para quem não trabalha com criatividade, também. Pois, é preciso estar inspirado para desempenhar qualquer coisa com prazer. Respirar fundo oxigena o cérebro, que é de onde vêm as idéias. Abra as janelas, ligue um som diferente, bata o pó das almofadas, regue as plantas. Às vezes é preciso cuidar das coisas simples, para que as complexas se resolvam naturalmente, no tempo certo, que possivelmente não é o seu.

Guilene Leonardi
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