quinta-feira, 19 de julho de 2012

Tabelando com o coração


“Jogos de amor são pra se jogar”, diz a música dos Paralamas do Sucesso, mas muitas perguntas pairam no ar quando o assunto é esse. Se é um jogo, tem juiz, tem regras, tem placar, tem um vencedor? Quais são as regras? Quem é o juiz? Onde estão computados os pontos? Quem pode ser considerado vencedor?

De fato, não é fácil entender essa questão. Pois, tudo é subjetivo e irracional quando o assunto é o coração, mesmo que ao jogar tentemos justificar e calcular racionalmente as atitudes. Mas existe o termo “jogo” e não é em vão. A idéia aqui é entender porquê escolhemos entrar nele e não abri-lo de cara, sem mistérios.

Você faz planos internos, diz e não diz, faz que nem liga, lança indiretas, espera, deduz, sofre, subentende, lê nas entrelinhas, enlouquece, diz que esquece e se enche de esperanças. Um turbilhão de coisas acontece dentro da gente, quando estamos jogando. Porque, o principal do jogo é não deixar nada muito claro, mesmo que você diga que quer tudo no preto e no branco, o que na verdade é mais uma estratégia, mesmo que subconsciente.

Estratégia, a palavra dos jogadores. Quem joga sem ela, não joga.  E você calcula seus atos em cima de emoções incalculáveis e tenta descobrir o que o outro está pensando ou projetar os pensamentos dele a todo o custo. Pensa em procurar uma cartomante, lê o horóscopo do outro jogador, porque a investigação é essencial para entender o adversário. Mas espere, há um adversário? Então, se eu vencer o outro perde?

É isso, jogos só são bons quando servem para instigar de leve a curiosidade e o interesse, mas são danosos quando levados a práticas mais profundas, com seus esconde e esconde infinitos e o 0x0. Pois, a única razão pelas quais o jogo do amor é aceitável é porque ele nos leva a um empate delicioso, e às revanches intermináveis que só planejam o 1x1. Não vale jogar e não viver a emoção de tabelar, driblar, suar a camiseta e gritar campeão. Não adianta nada ter dois craques sentados no banco. Então, joguem, mas dentro do campo, com realidade em todas as dimensões. E de vez em quando expulse as teorias técnicas e diga com todas as letras o que você realmente quer, o gol.


Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!




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