Papel sem uso, cabeça vazia, quadro cru, violão silencioso, tela em branco. O início é assim, breu total. Se dar continuidade a uma ideia genial é difícil, começar é pior ainda. Pois, criar depende de humor, de ânimo, de amor. Se a cabeça não ajuda, a mente não viaja. Se faltar ar, inspirar fica quase impossível. Essa semana está assim. Sem inspiração, respirando ofegante, procurando curar meus olhares caídos. Não há um universo paralelo entre a vida do criador e a sua criação. Está tudo conectado. Coisas boas saem do seu caos, e do seu jardim de flores, quando você espreme muito, mas as genialidades fáceis estão reservadas aos momentos de euforia.
Não é preciso estar sempre feliz para realizar o trivial, mas é preciso estar com a mente livre para criar o que quer que seja. Quando a cabeça revira papéis vazios e amassados, perguntas sem respostas e bússolas desorientadas, não há foco, não há criação.
O amor faz essas coisas com a cabeça da gente. Deixa os mais racionais perdidos em mil alucinações no deserto. Não encontra direções quando lhe falta o outro, quando não existem sinais, quando o silêncio perdura. Um dia parece um mês e os segundos não se movimentam no relógio. Depressão, não. Pior, loucura, mesmo. Uma cabeça criativa cria mil possibilidades ao impossível e faz com que a razão vá morar na casa do vizinho. Não há motivos para sofrer, nem se descabelar. Mas ter paciência, esperar, é o pior que há no sistema da vida.
Não é difícil ser bacana, não é difícil ser bonito, nem inteligente. Mas ser paciente é quase impossível. A ânsia por respostas, o desejo infinito por resolver, é reflexo nítido da sociedade atual, do imediatismo. Se o seu desafio for ansiedade, calma, amigo, calma. Não há outro conselho. Se o amor traz inspiração, o desamor traz a confusão de idéias. Mas há saída.
Calma, respiração, inspiração. Isso serve para quem não trabalha com criatividade, também. Pois, é preciso estar inspirado para desempenhar qualquer coisa com prazer. Respirar fundo oxigena o cérebro, que é de onde vêm as idéias. Abra as janelas, ligue um som diferente, bata o pó das almofadas, regue as plantas. Às vezes é preciso cuidar das coisas simples, para que as complexas se resolvam naturalmente, no tempo certo, que possivelmente não é o seu.
Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!
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