Conheceram-se na internet e se apaixonaram. Ela a mulher da vida dele, ele o homem da vida dela. O sentimento não era virtual, era real. A distância entre suas cidades não podia mais existir, então ela largou tudo para ficar com ele, pertinho, juntinho, viver o mundo que sonharam para si entre um bate-papo e outro. Foi morar com ele sem cogitar possibilidades negativas. Não pensou duas vezes. Não pensou.
Muitos diriam que ela foi imatura, outros que foi corajosa. Acontece que só saberemos de fato como designá-la através do resultado disso. Eles são exatamente o que pintaram na internet? Claro que não. Dificilmente alguém vai ser nua e cruamente o que é através da telinha, pois o teclado nos dá tempo de pensar antes de escrever. Só ao vivo vemos as respostas intempestivas que revelam o âmago do ser humano. Por outro lado, nos permite ver mais de um indivíduo que numa balada, por exemplo.
Mas voltando ao resultado, começaram a conviver diariamente de forma abrupta. Então, apareceram os defeitos. Ela descobriu que ele tinha os defeitos mais abominados por ela. Ele não era uma má pessoa, mas mentia. Não a traía, antes que o leitor pense isso. Mentia sobre sua independência, sobre sua sede pelo mundo, mentia sobre sonhos. Ela descobriu dia após dia essas mentiras. Viu nele uma ilusão juvenil sobre a vida. Uma infantilidade irremediável e completamente íntima. Nada do que ela era, nada do que ela queria.
Até que ponto o amor pode resistir? Ela deve querer mudá-lo para preservar o amor? Ou deve se manter passiva aos fatos e às suas vontades? Até que ponto alguém deve abrir mão dos sonhos em nome do amor?
Não há ponto. O equilíbrio é o maior desafio do ser humano. Eu me arriscaria a dizer que ninguém no mundo é equilibrado. Se ela for embora buscar realizar seus sonhos, abre mão do amor. Se ficar, abre mão dos sonhos. As dúvidas nos tornam frágeis. Não há meios termos, não há tranqüilidade. Viver é escolher, ter medo é errar. É tenso.
Seja qual for a escolha dela, que ela aceite sem arrependimentos e sem olhar para trás. Porque, o amor resiste tanto quanto nós nos esforçarmos para isso. Amar é fácil, conviver é esforço. Entregar-se às escolhas é o primeiro passo para querer verdadeira e equilibradamente ser feliz.
Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!
Guilene Leonardi
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essa baixinha porreta me encanta desde muito com seu jeito matreiro de escrever e se expor em suas verdades, adoro
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