terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Você vai querer

Dentre as prioridades da vida de uma mulher do século XXI estão o trabalho, a vida social/amorosa, a intelectualidade e o bem estar físico. As mulheres não elencam mais o casamento e a maternidade como prioridades em suas vidas. Tanto que hoje você tem menos sobrinhos, filhos de suas amigas, que se vocês tivessem essa idade há 20 ou 30 anos.

Acontece que a maternidade se descola do racional quando a mulher se aproxima da idade fatídica dos 30 anos. Sim, meninas, a natureza ainda fala, mesmo com toda a evolução da humanidade. O relógio biológico não é um conto de fadas. Ele existe e te faz engolir todas as teorias anti-bebês que você elaborou por toda a vida. Mas as mais atinadas já perceberam que o cálculo do arrumar um amor em um ano, mais dois de namoro, um de noivado, dois de casamento e voilá: filhos, não existe mais. Esse tempo todo de matemática foi para o beleléu quando você ignorou que iria passar sua genética adiante. Daí foi pega de surpresa e com as fraldas nas mãos, sem saber exatamente o que fazer com essa desesperada vontade irracional de ser mãe.

Não dá para entender? Dá sim. Seja realista. Natureza é uma coisa difícil de fugir, ou mesmo impossível. Então, mostre que é esperta e planeje. Se você tem até 34, ainda dá tempo de trabalhar isso na cabeça e organizar a vida. Porque, querida, você vai querer.

Vai querer olhar a barriga no espelho, sentir uma vida nova se formando dentro de você. Vai falar com ele, mesmo sem saber se é ele ou ela. Vai abandonar qualquer prioridade. Vai perder noites indo do seu quarto para o dele só para ver se ele ainda está respirando. Vai sentir que um pedaço seu vive sem você, é independente e tem personalidade própria, mas que você não imaginaria viver sem ele. Vai sentir felicidade e tristeza na hora do parto e quando crescer. Pois, é legal vê-lo ganhar o mundo, mas algo dentro de você vai sempre querer que ele volte a ser bebê, volte para a sua barriga.  O mais irônico é que você vai amar querer tudo isso, independente de qualquer coisa.

E nunca mais será a mesma. Vai ser estranho, vai dar um pouco de medo no início. Mas depois você vai ganhar uma espécie de injeção de força que não perde o efeito nunca. Vai defender seus filhos até de você mesma. A comparação das mães com as leoas não é à toa. São mesmo. Merecem. E tem um abismo absurdo entre a mulher antes de ser mãe e depois. De meninas mimadas a admiráveis guerreiras. Sendo assim, entregue-se a melhor coisa que pode acontecer na sua vida, ser mãe.

Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Auto-análise, auto-amor, auto-consideração

Olhar para dentro e analisar suas atitudes com olhos críticos é a coisa mais difícil que há. Saber-se errado, perceber-se egoísta e egocêntrico em demasia é de extrema complexidade. Isso porque sair de si, dar um tempo da gente mesmo, é impossível. Estamos sempre acompanhados de nós, da nossa bagagem cerebral de lembranças, atitudes, valores e posicionamentos.

Você segue vivendo, nada lhe falta, você não perde sua personalidade e isso é o que mais lhe importa, afinal você é seu maior e único amor. Até que um dia, o destino lhe passa uma rasteira e lhe dá um alguém tão importante quando você. Então, esses seus defeitos começam a lhe prejudicar. Conviver com alguém egoísta e egocêntrico demais, é desastroso. E se você for orgulhoso, e provavelmente é, vai sofrer ainda mais.

Sim, pois amar é fazer sofrer com seus defeitos, mas fazer-se sofrer de forma muito pior. Afastar quem amamos de nós, por nossa própria culpa, por nosso egoísmo orgulhoso, atitudes impensadas, palavras duras, sinceridades grotescas é a fórmula da auto-análise.

Você não quer sofrer, não quer mais sentir aquilo. Então, percebe a sua culpa e que deseja mudar o que nunca quis. E como dói se decepcionar consigo. Mas, amar é querer ser um alguém melhor para estar ao lado da pessoa amada, mesmo que seja você mesmo.

Como concertar as taças quebradas, curar as feridas feitas, resgatar a admiração e o respeito, se não há como voltar atrás e fazer diferente? Não tem como. A decisão da mudança, por si só já é um avanço. O que precisa ser feito é tentar mudar, abandonar o orgulho e pedir perdão, inclusive e principalmente, para si mesmo. Não há quem os seus defeitos firam mais que a você mesmo. Então, busque melhorar para si e então, o outro vai perceber a sua sinceridade. Coloque-se no lugar do outro e veja se gostaria das suas atitudes. E não seja tolo pensando que se expor é ruim. Seus sentimentos são o que você tem de mais verdadeiro. Exponha-os e se permita ser feliz.

Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A sinceridade exclui

Vendo o Jornal do Almoço, me chamou a atenção a chamada “Laisa, a gaúcha que diz o que pensa, teve recorde de votos na eliminação”. Laisa é uma moça gaúcha que foi eliminada ontem no Big Brother Brasil. Não sei sua profissão, nem sua atuação “sincera” no “BBB”, porque não assisto. Não porque ache ruim ou bom, é porque não assisto nenhum programa de televisão, mesmo. Não consigo acompanhar.

Mas, voltando à gaúcha sincera. Fiquei deveras impressionada com o tal recorde de votos em decorrência de sua sinceridade demasiada. É fato que as gaúchas tem um não-sei-quê de testosterona em suas veias. É curioso isso, pois o Estado em que os homens se dizem os mais machos do Brasil, tem também as mulheres mais bonitas e mais bravas? Ao que entendi, Laisa não tinha frescuras, não demonstrava fraquezas, falava o que pensava sem medo de ser julgada e mesmo assim era uma das mais bonitas do programa. Uma gaúcha nata, então.

Porém, o que para uns podem ser qualidades, para outros são defeitos irremediáveis. Ser sincero é uma qualidade, desde que você não aponte defeitos reais de alguém, muito menos que a verdade traga à tona a desnecessária submissão das mulheres em função dos homens. Sim, Laisa, você foi eliminada porque era sincera. Ninguém gosta da verdade quando ela dói. Essa é a realidade.

A sociedade não gosta de mentiras, essa é a maior mentira da sociedade. Mentir faz bem para o bom convívio. É o que muitas vezes chamamos de educação. Trato bem fulano e beltrano, mas de fato não os suporto. Educação ou mentira? Digo o que penso para quem quer que seja. Má educação ou sinceridade? Na vida passa batido, numa casa com filmadoras por todos os lados, eliminação recorde.

Assim funciona. É preciso ter um termômetro. Pois, a verdade e a sinceridade devem ser constantes, mas, por outro lado, não se pode agredir ninguém com desrespeito, mesmo que aquela verdade só pertença ao receptor. Isso não para poupar o ouvinte, mas para não ser eliminado com recorde de votos. Porque, a vida te elimina de vários programas, te exclui de atuações importantes para você, mesmo. Então, meça seu comportamento, viva mais leve, seja mais light. É difícil? Concordo. Mas o mais difícil da vida é trabalhar o seu auto-retrato.

Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Traição ou não? Eis a questão.

Todos os dias, todos os minutos, alguém em algum lugar está quebrando o acordo de fidelidade com outro alguém. Está mais do que escrachado na cara da sociedade, que esse “valor” estipulado como meta nos relacionamentos, cai por terra de largada. Quantos casais você conhece que de fato foram fiéis um ao outro durante o relacionamento inteiro? Daí vamos entrar na discussão do que é traição e do que não é. Vou estabelecer um ponto de partida: envolveu flerte com outra pessoa, é traição, independente do contato físico ou não.

Então, se é uma meta fadada ao fracasso, já de largada, como pode ser o determinante rígido para por fim a uma relação? Se você pudesse colocar na balança os tipos de envolvimentos, pesaria mais aquele com as quais uma pessoa escolhe viver e dividir o diário ou aquele furtivo por um final de semana, sem valor posterior? Funciona mais ou menos assim. Um vence o outro, mas pelas regras em que vivemos de conduta, o que pesa menos na balança, geralmente vence. Fato absolutamente incongruente.

Daí então, temos duas pessoas que se amam separadas por um caso desimportante e ocasional. Isso é muito triste. Uma mulher perdoa o marido por contar seu maior segredo aos amigos, mas não o perdoa por uma mensagem estranha de uma suposta amiga no celular. O namorado não admite aquela amizade dela, mas ela ter sido mal educada com a mãe dele está perdoada. Perdoa todas as vezes que ele bebeu e bateu nela, mas a pulada de cerca, via internet, nem pensar. Desculpa a falta de parceria dela, e todas as vezes que falou mal dele para as amigas, mas jamais vai desculpar a escapadela inconseqüente com o colega de academia.

Dói saber que o outro teve interesse por alguém? Dói. Mas será que essas outras mazelas do comportamento humano não deveriam doer mais e serem mais determinantes ao fim de um relacionamento que a suposta traição? É preciso repensar o que de fato é importante, fidelidade ou lealdade.

Não estou concordando com os que levam vidas duplas de mentiras e enganações. Apenas apontando para essa mazela comportamental dos casais, não saber pesar de fato as problemáticas do dia-a-dia. Fidelidade não tem a ver com traição. Traição é não ser leal, é ser mau, é enganar, é usurpar, é tripudiar e tantas outras coisas que vemos serem perdoadas com mais facilidade que uma pulada de cerca.

Afinal de contas, ser humano nenhum pode garantir que nunca vai estar fragilizado num momento qualquer da vida, que não possa vir a cair na tentação do inusitado. Até porque, somos sedentos por novidades. Errado ou certo. Não posso avaliar. Mas não julgue de antemão, nem predetermine a sentença da guilhotina, pois o pescoço pode ser o seu.

Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Nas pegadas da memória

Tenho saudades da minha infância, da pré-adolescência, da adolescência, da faculdade, das festas, dos primeiros anos de namoro. Enfim, tenho saudades de épocas, saudades de um tempo que passou. Mas, também, saudades das pessoas. Gente que foi morar em outra cidade, ou que ficou na cidade onde morávamos, dos que já partiram, dos que simplesmente não vejo mais. Ter saudades é natural e é bom, sinal que valeu à pena.

Vez ou outra, tentamos resgatar coisas e pessoas que moram nas lembranças, e então percebemos que o que faz parte do passado continua lá. E lá deve continuar. Ninguém é mais o mesmo. Tentar reviver é ignorar o presente e fazer com que ele não tenha valor para o futuro. Pois, o que realmente sentimos saudades, quando lembramos, é de nós mesmos, do que fomos, e isso é irreversível.

Não tem como reviver o frio na barriga do primeiro beijo, pois ele já foi dado. Nem como sentir vergonha do primeiro fora que levou, pois já levou vários. Nem como achar tanta graça de uma piada que você já sabe o final. Muito menos reviver suas indignações por coisas que você não compreendia, pois já compreende. Aquele jogo virou, as cartas já são conhecidas. Não tente as mesmas jogadas. A graça de viver está na tensão do desconhecido.

Quem você foi lhe fez quem é hoje e é assim, também, que acontece com as outras pessoas que fazem parte da sua vida. Tenha saudades, não tenha arrependimentos, nem tente voltar. Faça hoje as coisas que você vai sentir falta amanhã. E não pense que aquela felicidade foi usurpada das suas mãos, pois não foi. Tudo dura o tempo que deve durar, cabe a você respeitar esse sentimento tão sábio que é a saudade e agradecer ao cérebro pelas lembranças. Do contrário, seremos eternos insatisfeitos. Sentir isso e ainda assim dar valor ao presente, sabendo que deve aproveitar ao máximo os momentos, pois vai sentir saudades deles no futuro, é coisa para gente forte. Gente que aceita quantas agulhadas de tristeza a vida tiver que lhe dar para que a felicidade seja plena.

Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A dança da paixão

A paixão é algo curioso. De uma hora para outra você está absolutamente focado numa pessoa desconhecida ou que você nunca tinha percebido. Às vezes, ela não tem nada daquilo que você buscava ou, pior, é o oposto do que você desejava. Mas você não percebe isso, tamanho feitiço que a paixão causa nas suas percepções. Seus olhos vêem charme naquela barriguinha de chopp, que você tinha aversão; seus ouvidos começam a dançar salsa, que você nem conhecia; sua boca se delicia com chiclete de canela, que você tinha nojo; e seu nariz sai a buscar aquele perfume por todos os lugares. Tudo isso só porque você quer se aproximar do alvo do seu desejo. Quer ter coisas em comum para poder ser interessante aos olhos do outro.

Parabéns, se você faz isso, porque funciona, mesmo. Vocês vão curtir bons momentos juntos. Mas vai chegar uma hora que não vai bastar querer forçar as semelhanças ou mesmo conviver com grandes diferenças. Pois elas existem, você sabe disso. Mudou porque quis e mesmo que não tenha mudado, a falta de sintonia natural vai gritar alto quando a paixão for esfriando. Ela sempre esfria.

Esse é o grande pecado da paixão. Os opostos se atraem e quando mais precisam de semelhanças, para continuarem juntos, elas não existem. Discussões em que nenhum vence, mas que os dois têm razão. Cada um de um lado da corda, puxando incansavelmente, até soltar.

Admirar e entender as diferenças são os primeiros passos para que essa paixão tenha uma vida mais longa. Mas não tente correr no ritmo dele para aquelas coisas que só o motivam. Você vai querer cobrar o cansaço depois e não vai ter esse direito. Companheirismo e parceria não podem ser confundidos com falta de personalidade ou com estar 100% do tempo juntos. Espaços delimitados são importantes.

Por outro lado, quando a paixão esfria e o balanço dele já não requebra seus quadris, é hora de ser tão persistente, com seus desejos, como você foi no início. Saiba terminar o que começou, principalmente com a motivação com que começou. Pois, essa é a beleza da vida, ela é cíclica. E não diga que não deu certo. Vocês quiseram e dançaram naquele ritmo por um tempo, foi delicioso, mas a música enjoou.

Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A incógnita carência

A carência é um dos sentimentos que mais usa disfarces. São máscaras tão perfeitas que nem a identificamos dentro de nós. Ela dissimula desculpas e nos leva a realizar coisas que dão uma falsa sensação de felicidade, mas que logo é invalidada por uma insatisfação voraz.

Há muito mais gente em relacionamentos por carência do que se imagina. Você precisava de alguém, apareceu. Tinham muitas coisas em comum e era legal estar junto. Gostavam da companhia um do outro. “Por que não?” Você pensa. Então começam um relacionamento e logo ele ganha o “eu te amo” rotineiro.  A carência foi levando você com uma venda frouxa nos olhos, mas a vida não parou.

Por quanto tempo alguém consegue continuar cegado por ela, sem saber seus verdadeiros sentimentos? Já vi casos de casamentos longos, terminando do nada. E esse nada era a venda caindo. Pois, subconscientemente, o ser humano tem uma aversão maior a ser carente do que qualquer outra coisa. Então, ele tenta de qualquer forma aniquilar esse sentimento dentro de si, que não consegue sequer percebê-lo.

Carência é sinônimo de fraqueza, de não auto-suficiência, de dependência, de tristeza. Precisar do outro para ser completo é natural, mas não é qualquer outro. Assim, a confusão quem faz somos nós mesmos, que ao tentar ignorar a existência dessa necessidade, caímos nas graças dela e erramos nas escolhas.

Quando a carência se disfarça de amor, daí são anos e anos junto de alguém que é ótimo, mas que não amamos de verdade. Achando que amamos, usamos o amor como desculpa para não terminar com aquela insatisfação, acreditando que a mesma vem por incompatibilidade ou por um momento ruim que estamos vivendo.

O fato é que amar não é coisa fácil de acontecer, mas também não é tão raro. O amor, às vezes, acontece por uma pessoa com quem vai ser difícil conviver, que tem defeitos das quais conhecemos, que tem perspectivas diferentes das nossas. Mas que sem ela, qualquer outro relacionamento vai nos fazer incompletos, vai ser por carência e nós vamos tentar entender porque não somos felizes com aquela pessoa tão perfeita, sem sucesso de análise.

O certo é tentar desvendar as nossas carências em qualquer campo da vida. Deixar que ela fale alto, para não se enganar com um falso sussurro imitando outra voz. Quer se entregar por carência? Vá consciente. Mas saiba sempre que quem fala é ela e não o amor. Porque, se você se enganar com ela, quando cair a máscara, vai olhar para trás e sentir o vazio incógnito da falsa felicidade.

Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!