Algumas coisas são complicadas na vida amorosa. Seja qual for a sua opção de vida, nunca é ficar sozinho. Então, conquistamos algumas pessoas, somos conquistados, nos apaixonamos, e o último estágio é o amor. Por ser o último e o mais difícil de acontecer, é raro que aconteça por duas pessoas ao mesmo tempo.
Eu posso gostar de um e de outro, não tenho nada sério com nenhum dos dois, mas gosto deles de forma igual. Isso é completamente natural. Porém, quando o assunto ficar sério, vou acabar tendo que escolher um só.
Nada mais justo, já que vivemos numa sociedade monogâmica. Mas não vim aqui para falar de leis. Vim aqui para entender se o coração de fato é monogâmico.
Em determinado momento da vida, ela se apaixonou por Marcos e construíram um relacionamento estável, com filhos e amor. Mas num belo dia topou com João nos corredores do supermercado e voilà: coração ofegante, tal qual sentiu com o Marcos. Mas voltou para casa e viu o homem com quem era casada, e como ainda o amava. Ela vai acabar optando por um dos dois.
Isso é sincero e verdadeiro? Essa é a questão. Vivemos numa sociedade que não quer a sinceridade e a veracidade dos sentimentos. Para que a ordem perdure, o amor teve seu espaço delimitado e ela não poderá amar os dois de forma igual e ao mesmo tempo, pois acima de tudo vai se sentir culpada.
Ninguém quer viver isso e você possivelmente achará mil desculpas para invalidar um dos sentimentos dela. Mas e se eu lhe garantir que isso é possível? Que não há só uma metade da laranja? Que somos multigomos que se encaixam e que poderíamos amar de verdade tantas outras pessoas? Isso não é dividir, não é ficar em dúvida. É somar.
Dizer que só há um amor verdadeiro na vida inteira do sujeito, seria subjugar as nossas capacidades cerebrais e emocionais. Aceitando que podemos amar mais de uma pessoa durante a vida, é plenamente aceitável que isso possa coincidir. Então, a monogamia acaba sendo a foice que termina com o viço do trigo, corta rente para alimentar a família.
Não tenho a intenção de mudar os fatos legais, nem nada. Mas levantar uma hipótese que talvez nunca tenha passado pela sua cabeça. Que exigimos verdade e sinceridade sob as tantas realidades adversas da nossa própria natureza inconsciente.
Assim seguimos, iludindo a nós mesmos que o amor é exclusividade, já que nunca nos aconteceu essa coincidência, e por comodidade lançamos sempre o mesmo conselho: você vai ter que escolher e não tem a opção de escolher os dois.
Guilene Leonardi
*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!
Guilene Leonardi
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Guijes, texto perfeito, como sempre! Também acho muito cruel o ser humano ter que escolher uma única alma para o resto da vida. As pessoas não se amam e acabam ficando juntas. Acabam mais se destruindo do que agregando um ao outro. Talvez as pessoas fossem mais felizes largando de mão um monogamia um tanto quanto hipócrita. Beijo, tchutchuca!
ResponderExcluirNão acredito que sejamos biologicamente monogâmicos. Se estudarmos qualquer animal na natureza veremos que são todos poligâmicos (um macho para várias fêmeas). A poliandria (uma fêmea para vários machos) é mais difícil, mas também acontece.
ResponderExcluirPenso que a monogamia é apenas um traço cultural imposto pela sociedade cristianocentrada em que vivemos.
Se amo duas pessoas, porque não posso viver com as duas? Penso que a monogamia tem mais a ver com egoísmo - afinal ciúme é não querer que alguém chegue perto do que é seu - que com amor.
Enfim, ótimo texto minha amiga. Seu blog é muito bom. Continue produzindo.
Axé