terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Antes


Estou ouvindo a roleta girar e a bolinha correr
Os dados saltando na mesa
Todas as minhas fichas se esparramando
Sentindo as cartas revelarem-se por entre os dedos
O calor do canhão de luz apontado para o palco
O vento no meu corpo em queda livre.

Porque muito em mim tem medo do fim,
Numa mistura desconexa de adrenalina e inanição.
Que tudo não seja em vão.
Já que o amor sem o outro
É risco,
Arisco, indeciso e descrente.
É um inconsequente medroso.

Como se a cena parasse e só o coração continuasse
Esperando o número ser sorteado
A aposta ser ganha
As cartas serem azes
A estreia quebrar a perna
E o chão ser macio.

Porque, agora, não tem mais como voltar atrás,
Nem acelerar o resultado,
Não há controle, nem garantias.
É fechar os olhos e deixar acontecer.


Guilene Leonardi

*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!

Um comentário:

  1. Muito tri, isso é que é viver, isso é qualidade de vida.
    A vida tem que ter sentido, emoção e magia, intensidade.

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