domingo, 6 de janeiro de 2013

Mate-a ou morra


Tente explicar o significado de saudade a um estrangeiro e você vai ficar horas dissertando. Não sei se eles não a sentem ou se nós é que somos exagerados, mas o caso é que a saudade é propulsora de devaneios, mola de loucuras, de palavras impensadas, declarações, e-mails, mensagens no celular e ligações depois da meia-noite.

O que tem nessa palavra tão brasileira, tão quente, tão forte? Que não significa só falta, nem ausência? Não adianta ligar, nem saber notícias. A saudade exige a presença, e mesmo assim, pode vir em forma de previsão. Eu sempre sei quando vou morrer de saudades de algo que estou vivendo. E dói. Dói na hora vivida. Dói depois. Dói para sempre. Transborda da sua existência, faz as lágrimas encharcarem a sua racionalidade. E você pensa que o tempo é essencial, mesmo que não adiante nada pensar.

E ela não deixa sua cabeça livre, atormenta e te faz feliz 100% do tempo. Quando você adormece de cansaço, ela faz check-in no seu sono e aparece em forma de sonho, lindo, real. Dá um gostinho bom e você acorda querendo ainda mais matá-la. Somos todos homicidas da saudade. Não existe quem não queira ver a saudade pelas costas e desferir um golpe fulminante, com um abraço, um beijo, a pele na pele. O principal é não ignorá-la, assumir e gritar ao mundo seus sentimentos ou é você quem vai desfalecer.

Nesse jogo de quem fica vivo, prefiro a minha vida e não sei se os estrangeiros não sentem isso assim tão forte, mas quando penso nela só consigo pensar em matá-la. Deve ser por isso que nos acham criminosos. Sinto muito, gente civilizada, mas desse crime eu aceito ser condenada.


Guilene Leonardi

*Se gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigada!

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